A CHEGADA DO IRMÃOZINHO!

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Este tema está frequíssimo pra mim, por isso vou caprichar! Sempre sonhei em ser mãe de mais de um filho, tipo uns 5, mas estou entrando num acordo de 3 com o Felipe. Logo que tive a Raquel, já comecei a planejar quando começaríamos a tentar o segundo. Pensei na diferença de 3 anos exatos, pra fazer uma festa só e também achei que seria legal irmãos com a data de nascimento bem próximas, mas como nossos planos não são nossos, mas sim de Deus, engravidei do André só depois de 6 meses de tentativas. Aprendi uma boa lição, pois sou uma pessoa que gosta de ter tudo bem controlado e planejado! No último mês de tentativas eu desisti e resolvi entrar com a papelada de adoção (vejam o nível da minha ansiedade), foi aí que engravidei. Nessa fase, descobri que quando estamos muito ansiosas, nossos óvulos não se desenvolvem corretamente, dificultando assim a fecundação por isso, os médicos recomendam que você relaxe e não pense no assunto. Mas me digam, qual a mulher que consegue não pensar no assunto gravidez quando se está tentando engravidar? Aí eu digo: “Quando quiser engravidar, entre com a papelada de adoção!”(brincadeirinha hein?). Tenho duas vizinhas que demoraram 1 ano pra engravidar do 2o filho e uma prima que demorou 7 meses, portanto, se isso está acontecendo com você, relaxe, é super normal! Minha ginecologista diz que a média de tempo para se conseguir engravidar é de 1 ano, mas quando você resolver tentar, aconselho que já façam todos os exames, pois caso haja algum problema, podem começar logo o tratamento, que as vezes é meio demorado.

Bom, logo que engravidei fiquei muito, mas muito feliz, me sentindo completamente realizada, pois tinha o sonho de ver como a Raquel reagiria durante toda gestação e com a chegada do irmãozinho(a). Pois bem, quando descobrimos, contamos super empolgados, e ela, como qualquer outra criança de 2 anos e meio, não deu muita bola. Mas decidi que faria de tudo pra que ela amasse o(a) irmão(a) com todas as forças. Como a Raquel consegue entrar muito bem no mundo da fantasia, resolvi fazer uma “vozinha” do bebê na barriga. Era uma voz específica, mais fininha, pra ela saber que não era eu, mas sim o bebê, e funcionou! Ela acreditou que aquela voz era do bebê (mesmo eu mexendo a boca) e conversava com ele sempre. Tudo o que acontecia ela contava pro neném e ele respondia. O bebê a elogiava quando estava bonita ou se havia “raspado” o prato. Ela emprestava os brinquedos pra barriga e o bebê emprestava os dele pra ela. Enfim, eu imitei durante toda gestação a voz do irmão(a) que toda criança sonharia ter! Ela amou esse bebê desde o primeiro momento que ele falou com ela! Lembro que as vezes eu esquecia de fazer a “vozinha” e ela perguntava: “mamãe, é você ou o neném que falou?”.
Depois veio a fase de descobrir o sexo, e na cabecinha dela, o bebê era uma menina chamada Sara. Conversamos bastante com ela dizendo que o Papai do Céu é quem escolhe se vai ser menino ou menina e que se Ele mandasse menino, ia ser tão bom quanto. Falávamos também de todas as vantagens de se ter um irmão e ela começou a gostar da idéia. Pois bem, no 3o mês descobrimos que o bebê tinha um pipizinho! Como o nome já estava escolhido, começamos logo a chamá-lo de André e a Raquel não teve problemas com isso, foi tudo bem tranquilo.
Eu defendo a idéia de que são os pais os reponsáveis pelo nível de ciúmes da criança. Se durante a gestação você conseguir convencê-la de que aquele bebê só vai trazer coisas boas, não vai tomar o seu lugar, mas sim acrescentar na família, ela vai aderir a idéia numa boa. Outra coisa importante que ouvi de uma psicóloga na televisão é que, se a criança está completamente segura do amor que os pais sentem por ela, não terá motivos para o ciúmes. É lógico que toda criança tem o seu momento de ciúmes, pois isso faz parte do ser humano, mas o negócio é saber como lidar com este sentimento. Se desde a barriga você começar a fazer comparações e dizer coisas do tipo: “Se você não comer tudo vou dar o seu brinquedo para o bebê!” ou “Aposto que seu irmãozinho vai comer tudo quando a mamãe fizer a comidinha dele” ou “Mostra pro irmão como você é bom nisso, acho que ele não conseguiria fazer o que você faz”… Minha amiga, você está encrencada! O seu filho não vai gostar desse bebê desde o início e vai viver se comparando com ele. Aliás, esse é o tipo de coisa que não se fala pra nenhuma criança, não só com irmão, mas com os amiguinhos também. Nunca diga: “Viu como sua amiguinha é comportada? Ela não faz bagunça como você!” ou “Ela come tudo e você não!” Isso prejudica o desenvolvimento emocional do seu filho e pode destruir um relacionamento entre irmãos, portanto, muito cuidado com o que fala! Cada filho tem as suas fraquezas e qualidades, tente dizer a eles que Papai do Céu fez cada um de um jeito diferente e todos são muito amados, do jeitinho que são!
Voltando ao assunto, quando fizemos o quarto novo tomamos cuidado de fazer tudo igual para os dois. Se ele teria bercinho novo, ela também teria uma caminha especial. Se ele teria lençol novo, ela também teria. Ela ajudou a pintar o quarto, a arrumar as coisas, ajudou no chá de bebê e em todos os momentos a “vozinha do bebê” agradecia por ela ser uma irmã tão boa e sempre falava: “Eu te amo muito irmã!” 
Eu sou uma pessoa muito encanada com limpeza e organização e meus filhos estão me ajudando a ser uma pessoa melhor nessa área. Quando arrumei o quarto deles, organizei todas as coisinhas do chá de bebê, os brinquedinhos novos, as mantinhas e as roupinhas, ficou tudo lindo e arrumado! Bom, a Raquel nunca foi de abrir gavetas e armários, mas nesse caso a curiosidade foi maior. Ela delirou quando viu todos aqueles lenços humedecidos, sabonetes, pomadas, algodões e shampoos e claro, quis mexer em tudo. Tirou todas as coisas das gavetas, colocou no chão e brincou bastante. Enquanto isso eu estava mordendo os lábios e roendo as unhas, mas disfarcei o máximo que pude e com um sorriso disse: O seu irmão está muito feliz de ver que você está ajudando arrumar as coisinhas dele. E a vozinha disse denovo: “obrigada irmãzinha, eu te amo muito”. E ela sempre respondia: “hahaha irmão… eu te amo também!”. Penso que se eu não tivesse deixado ela mexer nas coisas do irmão, uma pontinha de ciúmes poderia surgir, por isso, precisamos estar sempre atentos. 
Quando o André estava para nascer, fiz com ela um desenho de contagem regressiva, pois a cesárea já estava marcada. Cada dia que passava pintava uma bolinha e o irmãozinho tinha falado pra ela que quando ele chegasse, traria um presente especial: uma mochila e uma lancheira da Barbie, que no momento, era o maior sonho dela. Logo que o André nasceu, fui para o quarto e escondemos o presente no armário e brincamos de “está quente, está frio” até que ela encontrou. Abriu o pacote toda feliz e disse: “Bigada imãozinho, ela igual eu quelia mesmo!”. Pronto, até ali eu sabia que estava tudo bem com os sentimentos dela, agora, a minha preocupação era como seria em casa, no dia a dia.
Por a Raquel ser uma criança muito tranquila com esse negócio de ciúmes, acho que foi mais fácil. Existem crianças que são ciumentas por natureza, não só com os irmãos, mas com os pais, amiguinhos, primos, etc. Aí com certeza você terá um pouco mais de trabalho. Sua atenção para esta criança terá que ser muuuuito maior, pois precisará ter a absoluta certeza do amor que sente por ela. Existe algo que chamamos de “Linguagem do Amor” que diz que cada um de nós entende e recebe o amor em uma linguagem diferente. Há 5 tipos de linguagem e você pode ter uma ou mais delas. Elas são: “o toque, palavra de afirmação, tempo de qualidade, serviço e presentes”. As minhas mais fortes são “tempo de qualidade e serviço”, por exemplo, quando o Felipe passa um tempo me dando total atenção ou se ele me ajuda com o serviço de casa, eu me sinto completamente amada. Já a linguagem mais forte do Felipe é o “toque”. Ele se sente amado por mim quando dou um abraço ou faço um carinho. A da Raquel é “tempo de qualidade”. Nem adianta eu enche-la de beijos e abraços, pois pra ela, não vai fazer diferença nenhuma. É interessante que você descubra a linguagem de amor do seu filho, pois não adianta enche-lo de carinhos ou presentes se a linguagem do amor dele for “serviço”. Nesse caso, ele sentiria o seu amor ao ver que você preparou o prato predileto dele ou cortou uma fruta que ele tanto gosta. Indico à vocês os livros “As 5 Linguagens do Amor” para crianças e para casais. Você vai descobrir as linguagens dos seus filhos e do seu marido e vai poder demonstrar o seu amor da maneira certa.
Com a chegada do André muita coisa mudou, principalmente com a Raquel, pois temos que nos desdobrar para que ela se sinta segura do nosso amor, e possa assim, amar e demonstrar livremente seu amor ao irmão. Vou escrever agora algumas coisas que temos feito, espero que ajude!
Quando vou dar banho no André, sempre pergunto a ela se quer vir comigo e me ajudar e quase sempre ela diz que não. Aí eu digo: O que você gostaria de ficar fazendo enquanto a mamãe não volta? Normalmente ela escolhe brincar massinha, tinta ou canetinha, aí eu peço que ela faça alguma coisa bem especial pra mim ou pro André. Outro dia ela preparou uma festa de aniversário de massinha enquanto eu dava banho nele, quando voltei, fiz a maior festa, enchi ela de beijos e abraços, cantamos parabéns e tiramos fotos. Ela ficou tão feliz que nem lembrou que eu tinha dado banho no irmão. Mas tem vezes que minha atenção precisa estar voltada totalmente ao André e eu percebo que de vez enquando ela se incomoda um pouco com isso, aí, tomo o cuidado de mesmo neste momento demonstrar que continuo pensando nela. Por exemplo, na hora de amamentar, não fico só olhando pra ele (o que é uma delícia), tendo ficar olhando pra ela, mandando beijinhos ou conversando. Quando vou trocar a fralda, peço pra ela me ajudar (mesmo as vezes atrapalhando) e sempre a elogio por ser uma filha e uma irmã tão maravilhosa.
Mas também acho importante ela entender que o André também precisa da nossa atenção só pra ele as vezes senão, ela vai crescer achando que o mundo gira em torno dela. Por isso, de vez enquando brincamos com ele na frente dela, fazemos gracinhas e pedimos que espere a sua vez. Ou se preciso fazer ele dormir, peço que fique em silêncio esperando eu terminar. Graças a Deus ela tem colaborado 97% das vezes, pois sabe que o nosso amor por ela continua lá, segurinho da silva! Os outros 3% a gente releva!
Outra coisa que costumo fazer, é mostrar que confio nela. Quando preciso lavar louça, fazer a janta ou estender roupa, deixo o André no carrinho e falo: Agora você é que está cuidando do irmão, ele vai ficar muito feliz e você é muito boa nisso! É lógico que fico de olho, mas procuro deixá-la bem a vontade. Já aconteceu de outro dia ela querer tirar ele do carrinho sozinha, mas ao invés de brigar eu disse: Nossa, como você é forte, aguenta até segurar o irmão! Mas quando você quiser tirá-lo do carrinho, chame a mamãe, pois ele se mexe muito e pode sem querer cair no chão, machucar a cabecinha e pode até cortar e sair sangue (eu costumo exagerar pra ela ficar com medo), tudo bem?
Quando o bebê vai crescendo, começa a fazer gracinhas e carinhas irresistíveis e é aí que mora o perigo, pois até então, o bebezinho que só chorava e fazia cocô, agora faz todo mundo rir. O ciúmes pode piorar nessa fase e você precisa ser criativo. Aqui em casa, quando o André dá aquela risadinha deliciosa e a Raquel está perto, ao invés de eu ficar falando que ele é lindo, que a risada dele é maravilhosa, que é o fofinho da mamãe eu digo: “Você tá sorrindo pra irmã é? Ela é linda mesmo, eu também acho! Vamos dar um beijinho nela? Fala que você ama muito ela fala!” Desse jeito, os dois ficam felizes!
As vezes os dois precisam de atenção ao mesmo tempo e você tem duas opções: enlouquecer e sair gritando ou pedir forças a Deus, dar um sorriso e inventar alguma coisa. Quando o André está chorando querendo colo ou precisando mamar e a Raquel também quer colo ou quer que eu brinque com ela eu falo: Vamos brincar de casinha? Você é a nossa mamãe, o André e eu somos filhinhos. Aí eu começo a chorar, fazer voz de neném, pedir um monte de coisas e ela adora! Fica se a achando a mamãe! No fim, o que era pra ser um desastre vira brincadeira!
Como eu não trabalho fora tenho tempo para me dedicar ao André pela manhã, enquanto a Raquel está na escola. Nesse tempo eu brinco e converso bastante com ele, tiro fotos e dou toda a atenção possível, para que quando a irmã chegar, eu possa me dedicar mais à ela. Se você trabalha fora, a opção é se dividir entre os dois a hora que chega do serviço. Você pode fazer assim, enquanto o papai (vovó, titia) dá banho ou brinca com o bebê, você faz a janta com o(a) mais velho(a), põe ele pra lavar verdura, arrumar a mesa, bater os ovos… sei lá, inventa alguma coisa. E o ideal é que todos jantem juntos na mesa, se isso for possível, divida as tarefas com o papai (titio, vovô). Um fica com o bebê e outro com o(a) irmãozinho(a) e na hora de comer fale para o bebê: Olha como seu irmão é forte, está comendo tudo! Viu como ele sabe mastigar bem? Quando você crescer, vai aprender com ele… e por aí vai.
Uma coisa que acontece muito nessa fase, é que o irmão mais velho quer mostrar ao bebê que é melhor em tudo. Ele sabe andar, sabe comer, sabe falar, sabe brincar e o bebê não sabe nada. A tendência é que ele fique na frente do bebê fazendo “inveja”: Olha, eu estou comendo bolacha e você não pode, lá lá lá! Nessa hora é que entra a psicologia. A Raquel começou com isso e eu logo comecei a falar: Filha ao invés de falar assim, que tal se você falasse: André, quando você crescer, vai poder comer essa bolacha e eu vou te ensinar! Demorou um pouco, mas ela aprendeu! Hoje em dia, se ela esquece e faz alguma comparação “feia”, rapidinho percebe e corrige a fala. É questão de paciência e insistência. E precisa ter jeito pra falar também, porque se você ficar gritando com ele não vai ajudar muito. E fora que os amiguinhos da escola vivem fazendo esse tipo de comparações e eles acabam acostumando, por isso precisamos ter paciência. 
Aqui em casa a Raquel gosta muito de fazer tudo que o André faz e acho que não é só aqui que isso acontece…rs. É uma maneira de expressar o ciúmes, voltando a ser bebê. Ela quer entrar no carrinho, no berço, quer tomar banho na banheira, fazer voz de bebê, imitar o jeitinho e os sonzinhos do André, fica até engraçado. Nessa hora temos que desencanar e fingir que ela é um bebê mesmo, pois é um jeito que encontrou de chamar atenção. Mas depois de um tempo eu faço ela voltar a ser “mocinha”, dizendo algo do tipo: Ai, eu queria tanto dar manga pra Raquel (ela adora!), mas bebê não come… tadinha! Nessa hora ela levanta rapidinho e fala: “Ponto mamãe, agola eu já sou glande!”
É claro que tem momentos também que as crianças extrapolam e nesses casos precisamos ser firmes. De vez enquando a Raquel exagera nas brincadeiras com o André, correndo o risco de machucá-lo (se bem que mesmo assim ele morre de rir). Quando isso acontece, eu peço pra ela parar e muitas vezes ela finge não escuta e continua. Aí eu chego bem perto, abaixo e falo olhando no olho dela: “É a última vez que eu falo, pára de fazer isso senão você pode machucar o André”. Aí ela para, pois sabe que quando falo desse jeito o negócio é sério. E ela só para porque nas outras vezes que falei assim e ela não obedeceu, tive que discipliná-la. E quando eu falo, eu faço!
Como você pode ver tudo é questão de paciência e criatividade! É só pedir a Deus que Ele te dá. Minha vida aqui em casa é uma constante oração. O dia todo estou conversando com Deus e Ele tem me dado sabedoria para cuidar dessas riquezas! Sozinho a gente não chega em lugar nenhum e acaba fazendo muita besteira, agora, confiando em Jesus e andando com Ele as coisas caminham de “bom à melhor”…rs.
 
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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora

  • Ana Paula

    Adorei os seus comentários, confesso que me senti um pouco mais tranquila! Desde que engravidei da Giovanna tenho lido muito sobre a questão do filho mais velho. Meu filho terá 2 anos 4 meses na data do nascimento da irmã e sinto muito medo de como ele vai se comportar após o nascimento. Hoje estou de 4 meses e meio e a gestação tem sido tranquila, ele da beijinho na barriga, converso muito com ele, mas li tantos relatos traumáticos à respeito do ciíme do primogênito que a noite choro de desesero com medo de prejudicar o meu pequenino com o nascimento da irmã… Obrigada!