A INFLUÊNCIA DO QUE DIZEMOS NA VIDA DA CRIANÇA!

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Já ouviu aquela frase: Cuidado com o que fala, pois a palavra tem poder? Pois é, tem mesmo! E tem muito mais poder na vida de uma criança do que na de um adulto, vou explicar. Essa frase não quer dizer que a palavra em si tem poder, mas sim o efeito que ela pode causar e suas consequências. Digo que é pior na vida de uma criança, pois ela nasce praticamente como um computador em branco, esperando que seus programas sejam instalados e esses programas, ruins ou bons, poderão permanecer lá pelo resto de suas vidas! É sério ou não é?


Uma fala muito comum entre os pais e que causa um efeito negativo é: “Você é mais bonito que todos os seus amiguinhos” ou “Sua roupa é a mais bonita da festa” ou ainda “Você é o melhor em tudo”. Me desculpe, se você faz isso, está criando uma pessoa que será insuportável de se conviver! É claro que a maioria das mães acha o seu filho o mais bonito mesmo, mas ao invés de ficar comparando-o com os outros, simplesmente diga que o acha lindo, e não que ele é o mais bonito! Uma dica legal, é dizer que ele sempre será o mais bonito pra você, assim como cada filho é para sua mãe. 

Quanto a roupas e brinquedos, o seu filho pode estar brincando com a melhor boneca ou carrinho do mundo, mas ao invés de dizer isso a ele, diga que todos os brinquedos são legais, mas de um modo diferente. Precisamos ensinar aos nossos filhos que nunca serão os melhores em tudo, pois Deus fez cada um com habilidades diferentes e especiais. Se o seu filho crescer achando que é o mais bonito, que a roupa e o brinquedo é sempre o melhor e que é perfeito em tudo, terá sérios problemas. No decorrer da vida, provavelmente encontrará pessoas mais bonitas e muito melhores do que ele (em diversas áreas), o que o fará com que entre num confronto interno sem fim! E não precisa esperar a faculdade chegar não, ele provavelmente terá problemas com amiguinhos e irmãos que não se submetam a sua vontade ou tenham coisas melhores do que as dele, e vai viver se comparando com os outros. Resumindo: Crie o seu filho com o pé no chão, pronto para viver neste mundo, afinal, rico ou pobre, bonito ou feio, todos vamos acabar no mesmo lugar, debaixo da terra comido por minhocas! E para os que foram transformados pelo grande amor de Jesus, terão um fim muito melhor do que esse: a vida eterna!


Agora vamos ver o oposto desta situação. Existem aqueles pais que além de nunca expressarem uma palavra de incentivo ou elogio, ainda costumam dizer que o seu filho é super desajeitado e nunca faz nada direito. Ele pode não ser nada disso, mas de tanto ouvir, vai acabar acreditando que é! Provavelmente será “pisoteado” por pessoas arrogantes (tipo as do parágrafo acima) o resto da vida, nunca conseguirá defender uma idéia ou lutar por um sonho. Todas as crianças tem defeitos e qualidades, pontos fortes e fracos e precisamos trabalhar isto desde pequenos. Estimule os pontos fortes de seu filho e tente trabalhar os fracos, sem criticá-lo. A Raquel, por exemplo, não gosta muito de beijos, abraços e pessoas pegajosas, mas não é por isso que vou ficar falando que ela é seca e sem coração, pois esse é o jeito dela e devemos respeitá-la. De vez enquando ela vem nos abraçar, beijar e nós curtimos esse momento, dizendo o quanto gostamos dos seus carinhos e sempre que posso, dou um beijo, um abraço e digo que a amo muito, mas dentro dos seus limites. Agora, um ponto forte dela, é a organização e cuidado com as coisas. Ela nunca joga objetos no chão, é muito cuidadosa com os seus brinquedos e sempre guarda as coisas quando termina de brincar. Nós a elogiamos, mas tomando o cuidado de não dizer que é melhor do que ninguém por causa disso. Nunca critique seu filho dizendo que ele é bobo, lerdo, burro, um zero a esquerda ou atrapalhado. Isso trará um mal irreparável, assim como dizer que é perfeito, o melhor de todos e maravilhoso em tudo! Use sempre o bom senso!

Sobre a alimentação, vejo na Raquel como faz diferença o que falamos. Quero um dia escrever um tópico só sobre este assunto, mas vou adiantar alguma coisa. A criança nasce sem paladar e ela não tem idéia que coisas verdes são ruins, como dizem por aí! Nós pais é que vamos ensinar à elas o que é gostoso e o que não é. Quando a Raquel começou a comer, apresentei todo o tipo de verduras, legumes e frutas, sempre falando que era tudo delicioso, além de fazer as refeições junto com ela, para perceber que eu também estava comendo e gostando! Ela sempre comia tudo e eu fazia a maior festa, dizendo que ganharia uma surpresa de sobremesa: Uma deliciosa fruta! (e não sorvete, bala ou chocolate). Hoje em dia, quando digo que tem uma fruta de sobremesa (e isso acontece todos os dias), a cara de alegria dela é a mesma de alguém que vê chegando uma taça cheia de sorvete ou uma caixa cheia de balas!

Algumas vezes ela rejeitou verduras ou frutas, mas sabe o que eu fiz? Ao invés de ficar falando que ela não gostava de tal verdura ou ficar brigando para ela comer, simplesmente ignorava e depois de algumas semanas oferecia novamente. Fiz isso com o abacate por 2 anos e meio, até que um dia ela aceitou e hoje come e lambe os beiços! Se eu tivesse dito que ela não gostava de abacate e ficasse reforçando essa idéia na frente de outras pessoas, provavelmente ela colocaria isso na cabeça de maneira definitiva. Isso aconteceu há 1 mês com o feijão. Ela foi na casa de alguém e não quis comer feijão e essa pessoa disse pra ela: Você não gosta de feijão? E ela afirmou e voltou pra casa confiante disso. Eu simplesmente fingi que não ouvi e continuei colocando feijão no prato dela, dizendo que era delicioso! Aí ela se distraia e acabava comendo tudo.O que poderia não ter acontecido caso eu tivesse insistido em dizer: “Você precisa comer feijão, é bom pra saúde! Você sempre gostou e não é agora que vai deixar de comer!”

Agora, vamos falar de competitividade. Já viu aquela criança que tem a necessidade de ser sempre o primeiro, estar sempre com o melhor brinquedo, sentar no melhor lugar, chegar primeiro sempre ou usar a melhor roupa? Se a psicologia que você usa com o seu filho é aquela do tipo: “Vamos ver quem termina primeiro?”, “Vou chegar antes que você!”, “Coloca o uniforme logo pra chegar primeiro que todo mundo na escola!”, “Aposto que nenhum amiguinho tem um tênis tão lindo quanto o seu!” ou “Come tudo pra chegar primeiro no parquinho”. Pronto, aí está a explicação para o seu filho competitivo! Corrija as suas palavras que provavelmente ele irá melhorar. Que tal você dizer: “Vamos tentar chegar juntos?”, “Vamos comer tudo juntos?”, “Vamos colocar o uniforme pra você chegar logo na escola e encontrar seus amiguinhos?”, “O seu tênis é lindo!” (sem comparar com o de ninguém), “Come tudo pra você ficar forte e poder brincar com os amigos no parque”. Aí está o poder da palavra!

Agora que a Raquel ganhou um irmão, vejo como é forte a influência do que dizemos. A criança, quando pequena, acredita piamente naquilo que falamos e devemos usar isso para o lado bom, não para o mal. Lendo o meu texto sobre A chegada do irmãozinho, dá para entender qual foi o efeito do “poder da palavra” na cabecinha da Raquel. Ela não tinha noção do que era ter um irmão e cabia a nós, pais, revelar isso, tomando o cuidado de passar de um jeito agradável para que ela gostasse da idéia. Vejo alguns pais dizendo para o filho: “Você quer ter um irmãozinho, quer? Mas ele vai ter que dormir do lado da mamãe, eu vou ter que dar banho nele, dar mamá, ele vai usar o seu bercinho…” Quem acha que essa criança vai querer um irmão? Eu também não iria querer!

Agora se você disser: “Filho, é muito bom ter um irmão, pois ele vai brincar com você de esconde-esconde, de pega-pega, vai te ajudar a construir um castelo com pecinhas. Você não vai mais dormir sozinho, pois ele será sempre o seu companheiro. Você como irmão mais velho, poderá ensiná-lo um monte de coisas e ele vai adorar! Quando crescerem, serão melhores amigos e poderão estar sempre juntos…” A chance dessa criança querer um irmão será muito maior! Foi o que aconteceu com a Raquel, ela gostou tanto da idéia de ter um irmão, que hoje em dia ela pede mais dois…rs.

Se o seu filho tem atitudes erradas, não o culpe por isso. Pense no histórico dele, qual o ambiente que foi ou está sendo formado, o que tem assistido ou escutado. A Raquel por diversas vezes falou coisas que considero muito feias, por exemplo: “A minha boneca é maior, la, la , la , la!” Nessa hora fui muito firme e a corrigi dizendo: “Filha isso é muito, mas muito feio! Nunca diga uma coisa dessas. Que tal falar: As duas bonecas são bonitas, mas de um jeito diferente?” Hoje em dia, quando alguém faz isso, ela diz: “Os dois são bonitos e cada um é difelente!” Fico muito feliz ao ver o resultado bom uso do “poder da palavra” na vida da minha filha.

Outro dia vi uma mãe elogiar o vestido de uma menininha e a filha dela rapidamente veio e disse: “Mas o meu é mais bonito que o dela né mãe?”. A mãe tentou dizer que as duas estavam lindas, mas a menina não sossegou enquanto a mãe não disse queela  estava mais bonita. E foi o que a mãe fez, na frente de todos: “‘É filha, o seu é o mais bonito mesmo!” Dá pra imaginar porque ela é assim? Neste caso, eu como mãe, seria firme até o fim, mesmo que minha filha esperneasse no chão: “Os dois vestidos são lindos, mas de um jeito diferente!” Taí um grande exemplo de como nós, pais, temos que tomar MUITO cuidado com o que fazemos e falamos, pois como dizem por aí, nossos filhos serão o futuro do nosso país… e que medo desse futuro!

Importante: Quando observar seu filho falando ou fazendo algo errado, corrija-o, mas não deixe de dar uma sugestão de como fazer da maneira correta.

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora