COMO FAZER SEU FILHO DORMIR A NOITE TODA

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“A criança deve ter o seu sono respeitado. Não é porque o pai ou a mãe (ou a visita) chegou que deve ou pode pegá-lo. Espere que ele acorde. “

“A criança se mexe durante o sono, às vezes geme e até acorda, sem estar sofrendo. No entanto, se ninguém correr para pegá-lo, ele volta a dormir sozinho. O que o torna mais independente, e quando chega o sono, dorme em qualquer lugar e em qualquer circunstância, sem precisar de alguém que canta, embala, dá tapinhas, faz cafuné ou simplesmente fica ali esperando que ela durma.”
“O ideal é que o bebê aprenda desde cedo a dormir em seu lugar, mesmo sendo mais gostoso aninhar-se com os pais.”
“Quando o bebê acorda, não deve ser imediatamente tirado dali, o que acontece muitas vezes por puro hábito. Essa atitude mostra a criança que berço é um lugar apenas para dormir, e dessa forma, quando ele acorda, começa a chorar para sair imediatamente dali. Quando o bebê acordar, é importante que a mãe ou o pai se aproxime, fale e brinque com ele, deixe-o movimentar-se dentro do berço, e só então o pegue no colo. Assim, a criança está aprendendo a ser paciente quando acorda e esperar quando não há ninguém por perto para pegá-la naquele exato momento.”
“É importantíssimo um ritual para o sono (leite, escovar os dentes, banho, história). Cada família deve encontrar o seu. A criança sente segurança na repetição, e a tranquilidade dela é absorvida da tranquilidade dos pais.”

“Papai deve ajudar a mamãe. Um marido não inegrado só agrava os problemas da mulher com o bebê. Seu esforço de integração é um gesto de amor!”
Textos tirados do livro: Quem Ama Educa, de Içami Tiba
Começo esse texto dizendo: “Enfim, terminou a minha longa jornada de noites em claro!” Após 11 meses (sem contar os últimos meses de gestação), eu dormi uma noite inteira! Que delícia! Eu não lembrava mais como era bom…
Mais uma vez vou contar a minha história, as minhas lutas e como consegui superá-las. Bom, fora a minha experiência, li muitas matérias a respeito, trechos de livros e testemunho de mais de 50 mães que passaram ou ainda passam pelo que eu passei. Enfim, pode ter certeza que o que for escrito aqui, vem de fonte segura! Faça o seguinte, leia o texto, passe pela peneira e deixe cair no seu copo apenas aquilo que achar bom. Mas não jogue fora o bagaço, passe pra frente, pois ele pode servir para o suco de outra pessoa!
Vamos lá! O meu pequenininho despertava a cada 2 horas e só voltava a dormir se eu desse mamá ou balançasse. Sem contar no começo, que os intervalos eram menores, a cada 40 minutos ou 1 hora. Próximo dos 3 meses, os intervalos aumentaram para 3h ou 4h e eu comecei a ficar otimista e teve até uma noite que ele dormiu 8h seguidas (a única) e depois disso nunca mais! Algumas poucas noites ele dormiu 4 horas seguidas, mas nunca passou disso. Aos fins de semana, o Felipe revezava comigo, pra que eu pudesse dormir e recuperar as forças, mas mesmo assim eu acordava, porque o André sempre queria mamar e o máximo de ajuda que o Felipe podia me dar, era trazê-lo na cama para eu amamentar.
A certa altura do campeonato, eu já havia escutado palpite de mais de cem pessoas. Uns diziam que era fome, outros cólica, outros calor, outros dor de ouvido, outros gases… Uma senhora até chegou ao cúmulo de dizer que eu precisava colocá-lo deitado virado para os pés da cama para ele dormir a noite toda! Mas a gente que é mãe, ainda mais de segunda viagem, sabe muito bem distinguir choro de dor, de fome ou manha. O choro do André definitivamente não era de dor, pois se eu desse o peito ou balançasse ele parava de chorar. Uma ou duas noites ele teve cólica e eu percebi, dei o remedinho e passou. Fome também não era, pois aos 5 meses, comecei a dar uma mamadeira engrossada com mucilon antes dele dormir, mas 2 horas depois, lá estava ele, acordado, chorando, esperando o mamá…

Outras pessoas ainda me falaram que o problema era a amamentação, e que assim que eu desmamasse, ele dormiria a noite toda. Em certa parte tinham razão, mas não coloco 100% da culpa nisso, aliás, acho que só coloco uns 10%, pois a Raquel mamou até 1 ano de idade, e sempre dormiu a noite toda, desde os 2 meses de idade. E conheço muitas mães que amamentaram e seus filhos sempre dormiram. O problema do André não era a amamentação em si, mas a necessidade de chupar o peito para voltar a dormir.

O nosso pequeno, apesar de muito bonzinho, é um bebê dengoso e chorão. Dizem que os meninos são assim mesmo, mas acho que essas características vieram acentuadas nele…rs. E na minha busca desesperada por uma solução, li algumas matérias a respeito de um livro chamado “Nana Neném”, que ensina a técnica de deixar o bebê chorando até dormir, durante alguns dias, até que ele acostume. Bom, com o André não deu certo, pois nas vezes que resolvemos tentar, ele resistiu até o fim, gritando de pé no berço, de olho fechado durante 40 minutos. E se o deitássemos, ele levantava imediatamente, mesmo caindo de sono. No fim, tudo isso resultou numa hérnia de umbigo, dá pra acreditar? (Não acreditem, pois descobri hoje, 29/01, através da pediatra, que isso é lenda dos antigos). Bom, confesso também que achei esse método um pouco agressivo e fiquei preocupada em deixar marcas que pudessem refletir no futuro.
Depois de ler muitas matérias, achei um livro que ensinava uma técnica interessante e que tinha uma certa lógica. O livro é “Sleep Sense Program” de Dana Obleman e em resumo, ele explica o seguinte: Quando o bebê nasce, está acostumado com o quentinho, escurinho e o balanço da barriga, por isso que ele dorme muito mais rápido quando balançamos ou quando está no carro. Ele explica que o ideal é acostumar o bebê a dormir sozinho, no berço, sem balançar, assim que ele nasce, pois ainda não sabe virar, levantar, chamar a mamãe, o que torna o processo bem mais fácil. Mesmo que ele chore no começo, com certeza vai acostumar. Mas antes, você precisa se certificar de que ele não está com dor, com fome ou fralda suja.
Muitas mães, assim como eu, utilizam várias técnicas para fazer o seu bebê dormir: balançar, cantar musiquinhas, dar o peito, chupeta ou bater no bumbum, e os bebês se acostumam muito rápido com isso. O nome que o livro dá para essa técnica é “prop”. Durante o sono, o ser humano desperta algumas vezes e o bebê que está acostumado com algum tipo de “prop” só vai voltar a dormir com ele. No meu caso, os “props”do André eram o peito, a chupeta ou balançar andando durante vários minutos. Quando ele estava perto de completar 11 meses, resolvemos que a primeira coisa a se fazer, antes mesmo de tirar do peito, era acostumá-lo a voltar a dormir sozinho, sem os “props” e o livro ensina uma ótima técnica que vou explicar a seguir.
Você precisa estar atenta e identificar quando seu filho começa a expressar sinais de cansaço (choramingo, coçar o olhinhos, bocejos…), e não deixar que esse tempo passe e ele volte a despertar, pois ficará ainda mais irritado. Assim que perceber, comece com a rotina do sono (fechar janelas, dar de mamá, balançar, chupeta, musiquinha, etc.), mas preste atenção e o coloque no berço ainda acordado e saia do quarto. Provavelmente ele não vai gostar, vai chorar e se for maiorzinho vai ficar levantando. Volte e repita o processo. Acalme-o e coloque-o no berço ainda acordado novamente. Se achar melhor, pode ficar ao lado dele nos primeiros dias, e com o tempo, comece a sair do quarto assim que colocá-lo (ainda acordado) no berço.
Não existe tempo certo para deixá-lo chorando, fique o quanto aguentar. Volte, acalme-o e saia novamente. Você precisa estar muito decidida, pois o processo pode ser bem cansativo. É bom ter ajuda de outra pessoa, como o papai, a vovó, a titia… No meu caso, esperei meu marido sair de férias para me ajudar e expliquei a ele todo processo, pois precisaríamos estar juntos nessa “luta”. A ajuda dele fez toda diferença, pois acho que teria desistido se estivesse sozinha. Ele foi muito forte e decidido (obrigada por isso meu amor!) e valeu a pena! Bom, nos primeiros dias, o André chorou muito, mas nós o colocávamos deitado de volta com a chupeta e ficávamos do lado, sentado na poltrona fingindo estar dormindo. Isso no sono da tarde e da noite. Teve dias dele levantar chorando umas 20 vezes, mas nós o acalmávamos no berço mesmo e ele acabava dormindo.
Depois de uns 15 dias começamos a sair do quarto, mas o processo foi mais fácil, pois ele já estava acostumado. Lembro que um dia ele acordou chorando e o Felipe foi lá para deitá-lo e quando o André o viu entrando no quarto se jogou no travesseiro e dormiu…rs. Depois disso, começamos a tirar o peito da noite. Quando ele acordava, o Felipe ia lá e fazia todo processo e ele voltava a dormir, mas ainda sim continuava acordando várias vezes. Aí chegou o dia de tirar o peito definitivamente, quando ele completou 11 meses, certinho, dia 20/12/2010. Eu me preparei para o pior, pois ele estava muito apegado e ainda mamava a cada 2 horas. No primeiro dia chorou bastante e quando me via, ficava puxando a minha blusa e abaixando a cabecinha pra mamar. Foi bem difícil, eu quase voltei atrás, mas vi que estávamos fazendo o melhor pra ele e para nós, é claro!
Percebemos que quando ele estava longe de mim, nem lembrava do peito, mas era só chegar perto que o choro começava. No segundo dia, resolvemos que eu ficaria o mais distante possível e para a nossa surpresa ele nem lembrou do mamá….rs. Começamos a estipular uma rotina para a mamadeira: 200 ml de leite de manhã, de tarde e de noite. Tirei também o engrossante (Mucilon), pra ele não acostumar, deixei só o leite mesmo, no caso, o Nestogeno. Hoje em dia, 1 mês depois, dou o “Ninho 1+” e logo vou passar para o leite de caixinha, assim como fiz com a Raquel.
E agora vem a boa notícia: No segundo dia, ele dormiu 7 horas seguidas, e no terceiro, dormiu 8 horas, e foi daí pra melhor!!! Claro que teve noite dele regredir e acordar chorando, mas nós não desanimamos, continuamos firmes com o processo e hoje, mais de 1 mês depois, ele dorme das 22h às 7h30, mama e dorme de novo até às 9h/ 9h30. Dá pra acreditar? Dá!

Mamães desesperadas, hoje posso dizer que esse processo, muitas vezes demorado e doloroso, funciona e vale muito a pena! Você pode sofrer por 15 ou 20 dias, mais vai valer pelo resto das suas vidas! Noites mal dormidas fazem muito mal pra saúde (eu que o diga). Emagreci vários quilos e ainda estou sofrendo as consequências de 11 meses de noites sem dormir, tenho dores por todo o corpo! Mas agora estamos começando uma nova fase, as coisas mudaram e como diz a Bíblia muito sabiamente: “… a tribulação produz perseverança, e a perseverança experiência, e a experiência esperança.” (Rm 5: 3,4). Tivemos um tempo difícil? Tivemos sim! Quem não tem? Mas fomos perseverantes, o que nos trouxe experiência para dar esperança a outras pessoas.
Mamães desesperadas, existe uma luz no fim do túnel, corram atrás dela!

Obs.: Hoje (09/02) assisti uma reportagem na globo muito interessante de um neurocirurgião pediatra sobre o sono da criança, e ele disse coisas importantíssimas como: uma criança por volta de 1 ano já deve estar dormindo de 12h a 14h por dia (contando com o sono da tarde). E durante a noite, deve ter o mínimo de interrupções possível, para que ela consiga chegar no sono profundo, pois é nesse momento que o corpo e o sistema nervoso se desenvolve de forma correta e sadia. Uma criança que tem poucas horas de sono, tende a ser hiper-ativa e pior, se tornar um adulto hiper-ativo. Disse também que contrário do que muitas pessoas pensam, o sono da tarde não prejudica o sono da noite, pelo contrário, traz à ele mais qualidade! Mas não é recomendável uma soneca de mais de 2h, pois passando disso, pode realmente prejudicar o sono da noite. E lógico que se o seu filho já dorme de 12h à 14h seguidas, não é necessário que ele durma de tarde. É sempre bom usar o bom senso.

Aqui em casa, as crianças dormem da 21h30 às 7h (Raquel) e das 21h30 às 8h30 (André). A tarde eles dormem mais 2h e o André ainda tira uma soneca de 1h antes do almoço. Vejo que o sono pra eles tem feito muito bem… e pra mim também! rs

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora