MEUS FILHOS ERRAM! E AGORA, O QUE EU FAÇO?

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Todas as crianças erram? Claro que sim, e muito! Até que ponto estes erros estão dentro da normalidade? Qual o momento certo de interferir? A supervisão constante de um adulto é saudável ou não? A partir de que idade podemos começar a deixá-los mais livres e independentes? Bom, é sobre estes e outros assuntos que gostaria de falar. Vale a pena salientar, que nada do que for escrito aqui é regra! Minha única intenção é a de compartilhar experiências (boas e ruins) e mostrar que através delas, adquirimos maturidade. A partir de agora, ligue o seu botão de filtro e comece a leitura!


Quando estava grávida da Raquel mergulhei de cabeça no “mundo das mães”, do mesmo jeito que uma criança pula na água quando vê uma piscina: cheia de alegria, sem se preocupar se vai afundar ou não e querendo curtir todos os momentos! Comecei a frequentar sites sobre o assunto, entrei em fóruns, comunidades e li diversos livros especializados. Assisti todas as reportagens que encontrei sobre o desenvolvimento da criança (físico e emocional), além de não perder um episódio da Supernanny, nacional e internacional (como eu gosto desse programa!). E tudo isso por quê? Porque eu AMO a profissão de mãe e AMO o universo das crianças! E mais do que isso, eu queria (e ainda quero) errar o menos possível na criação dos meus filhos, para o bem deles e para o bem deste mundo tão maldoso e deturpado!

Além de tudo isso, nós (o Felipe e eu) orávamos (e ainda oramos) a Deus, pedindo sabedoria para que fôssemos pais segundo a Sua vontade. E digo que não adiantaria de nada ver todos esses programas e ler todas essas reportagens se Deus não nos desse sabedoria e sabe por quê? Porque a sabedoria do ser humano é falha e a de Deus é perfeita, e Ele nos ama de maneira sobrenatural e tem sempre o melhor para as nossas vidas! Mesmo que esse melhor às vezes seja um puxão de orelha bem dolorido… rs

E foi me espelhando nesses puxões de orelha que o Papai do Céu nos dá de vez enquando, que resolvi escrever esse texto. Na minha curta experiência de mãe, já quebrei a cara várias vezes, como todo pai e mãe que erra tentando acertar, mas sempre por amor. O processo de disciplina de uma criança envolve uma série de coisas: o ambiente que ela vive, a educação que os pais tiveram, o caráter e personalidade dos seus responsáveis e também temperamento da criança. Algumas reagem super bem a uma voz mais firme e obedecem de imediato, outras, precisam de uma disciplina mais severa, para deixarem de insistir no erro.

Este ato de disciplina e correção, faz parte do amor que demonstramos à eles. A criança depende inteiramente dos pais e dos seus responsáveis para ajudá-la a identificar e corrigir os seus erros. Imagine uma criança que nunca é disciplinada, ou pior, disciplinada da forma errada? Aliás, não precisa nem imaginar, elas existem! E isso é culpa delas? Claro que não! Mas imagine o adulto que essa criança irá se tornar e a dificuldade que terá de viver em sociedade?

Crianças batem, mordem, empurram, se jogam no chão, pegam coisas escondidas, são ciumentas e egocêntricas. Todas as crianças nascem assim (com raríssimas excessões). Umas são mais difíceis que as outras, por conta do temperamento, mas é nesse momento que entra o papel importantíssimo dos pais. Através da disciplina, você terá que ensiná-la que alguns comportamentos são simplesmente inaceitáveis, e não só porque as pessoas vão olhar e comentar, mas principalmente porque quando crescerem, terão que enfrentar diversas situações, envolvendo pessoas com diferentes personalidades e tipos de educação, e nesse momento, é importante que saibam reagir de forma saudável e madura. A disciplina serve pra isso!

Antes de engravidar da Raquel, eu olhava o comportamento de algumas crianças e pensava: “Minha filha nunca vai fazer isso, que horror!” Acho que muitas mamães já fizeram isso, não é mesmo? E adivinhem? É lógico que ela fez (e ainda faz) coisas que eu não gosto. Bom, como sempre, vou citar os meus exemplos e o que aprendi com eles:

Quando a Raquel começou a sentar no cadeirão pra comer, aprendeu que era divertido jogar coisas no chão (inclusive a comida) e ver a mamãe pegando. No início eu levei na brincadeira, mas depois começou a ficar cansativo e eu resolvi que deveria cortar. Nesse momento eu interferi, e como ela ainda não podia ficar de castigo, apenas falava num tom mais alto e com a cara brava. Expliquei (na linguagem dela) que se jogasse novamente algum brinquedo no chão, eu não pegaria mais. Demorou bastante, mas ela aprendeu. Um tempo depois, ainda tive que disciplinar algumas vezes, quando ela jogava algum brinquedo ou objeto de propósito, não só do cadeirão, mas em outros lugares. Hoje, com 4 anos, ela não se atreve a jogar nada no chão e quando esquece, olha pra gente com uma risadinha e vai logo pegar. É claro que nos momentos de brincadeira eu deixo eles colocarem o que quiserem no chão, mas já sabem que depois, devem guardar cada coisa em seu lugar. Isso tudo por quê? Porque eu queria que ela entendesse que não é legal sair jogando coisas por aí, nem brinquedos, nem roupa e muito menos comida, mesmo nos momentos de raiva. E graças a Deus, com muita insistência e paciência ela aprendeu!


A fase dos 2 aninhos (que fase difícil!), é a fase do egoísmo e egocentrismo e ela começou a não querer dividir os brinquedos e mais do que isso, pegava os dos outro falava: “É meu!”. E se caso eu tentasse tirar da mão dela, fazia o maior escândalo! Foi uma fase bem trabalhosa, mas com muita paciência, conversa e disciplina, ela parou com esse comportamento. Uma coisa que ajudou bastante, foi pedir que ela escolhesse 2 ou 3 brinquedos quando íamos ao parque, para dividir com os amigos, e além disso, eu sempre brincava que era uma amiguinha que adorava dividir as coisas! Mas quando o comportamento estrapolava, a disciplina era a primeira opção. Ela ainda tem momentos de egoísmo, mas quando passa dos limites, é só contar até no máximo 2, que ela logo pára. Este é um sentimento natural do ser humano, mas que deve ser controlado logo nos primeiros anos de vida, para que a criança tenha limites no futuro, visando o seu próprio bem e das pessoas que a cercam.


Bom, depois da fase do egoísmo, ela passou para a fase de querer ser melhor que as outras crianças: Ter o melhor brinquedo, a melhor roupa, o melhor sapato, o penteado mais bonito, entre outros. Um frase típica a ser escutada nessa época é: “Eu tenho uma boneca, você não tem, lá, lá, lá…” ou “Eu estou de vestido, você não está…” ou ainda, “Eu sei pular de um pé só, você não sabe…”. A primeira coisa que fiz, foi explicar que este comportamento não era certo e que ela deveria encontrar outras maneiras de expressar este sentimento, sem deixar os amiguinhos chateados. Então, toda vez que eu escutava ela falando algo parecido, chegava perto e dizia: “Filha, que tal você falar pra ela que as duas bonecas são bonitas, mas de um jeito diferente?”. Acho que repeti esse tipo de frase umas mil vezes, nas mais variadas situações. E com a nossa insistência e disciplina, ela acabou aprendendo. Hoje em dia, quando quer fazer alguma comparação fala: “Irmão, olha o que eu sei fazer? Quando você tiver 4 anos vai conseguir também!” Lógico que de vez enquando escapa algo com malícia, mas o bom é que ela mesmo percebe e corrige.

Atualmente, o maior problema que enfrentamos é a escolha das roupas… Meu Deus, como é difícil essa fase. Ao mesmo tempo que quero dar liberdade de escolha, não posso permitir que vá ao parquinho com um vestido de festa ou vá a uma festa com roupa de parquinho. E essa tem sido a nossa discussão diária. Acho que passo uns 10 minutos na frente do armário esperando que ela escolha uma roupa e um sapato assim que volta da escola. Mas às vezes estamos tão cansados ou sem tempo, que precisamos usar a psicologia ou dependendo do caso, a disciplina. Atualmente, encontramos uma “quase” saída para o problema. Ela já entendeu que roupas novas são para sair e que as outras são para brincar e ficar em casa, então, dou a ela várias opções e ela escolhe. Mas tem dias que a teimosia é tão grande, que precisamos entrar com a disciplina e nesse caso eu digo: “Eu te dei várias opções e como você não escolheu, terá que usar o que eu quiser”. Escolho uma roupa, entrego pra ela e saio do quarto, e em prantos, ela se veste e vai almoçar… rs. Mas já temos visto um progresso nesta área e sei que logo ela vai aprender.

Agora, diferente destes erros, existem as atitudes que fazem parte do temperamento. Por exemplo, a Raquel é uma “criança líder”, já ouviu falar? Ela gosta de ser a médica, a professora, a cabelereira e nunca a paciente, a aluna ou a cliente… Parece engraçadinho, mas se isso não for trabalhado na vida dela (para o lado bom), futuramente se tornará uma pessoa “insubordinável” e passará grande parte da sua vida em conflitos. Não tem sido muito fácil lidar com isso, mas estamos tentando. Como? Quando ela está brincando de médica com alguma amiguinha, por exemplo, ficamos por perto, escutando e corrigindo para que ela fale carinhosamente e educadamente com a sua “paciente”. Outra coisa que fazemos é, durante algumas brincadeiras, a colocamos em um “papel secundário”, para que ela tente lidar com o sentimento de ser subordinada a alguém. Ela não gosta nadinha e às vezes até pára de brincar, mas continuaremos a insistir!

Um outro ponto que temos trabalhado na educação da Raquel, é a questão do cumprimento. Faz parte da nossa cultura dizer “bom dia”, “como vai” ou “tudo bem?” quando passamos por alguém conhecido, e para nós, isto é sinônimo de educação. Existem momentos que não estamos afim de falar com ninguém, mas como somos educados, cumprimentamos. Para criança é um pouco difícil entender, mas com insistência e paciência elas aprendem. O que não ajuda muito nessa hora, é dar uma desculpa cada vez que seu filho resolve não cumprimentar alguém: “Ah, ele é muito tímido” ou “IIIh, hoje ele está com sono…”. Assim, a criança vai entender que não tem problema nunhum em não falar “oi” ou “bom dia” para as pessoas, e que é só inventar uma desculpa que o problema estará resolvido, o que não é verdade, pois faz parte da nossa cultura dizer pelo menos um “oizinho” mesmo quando estamos bravos ou chateados.

Bom, com o André tem sido muito diferente, ele faz coisas que a Raquel nunca fez, como morder (quer dizer, ela já mordeu uma vez na escola, mas nós a disciplinamos e ela nunca mais fez), puxar cabelo e beliscar. Percebemos que é um instinto de defesa que ele tem, mas como em todos os outros casos, terá que aprender que esse não é um comportamento aceitável. Como ele ainda é muito pequeno e não entende castigo e outros modos de disciplina, encontramos uma maneira que tem funcionado bem. Quando ele vai com a mãozinha para beliscar, nós a seguramos imediatamente e fazemos o movimento de carinho, repetindo diversas vezes: carinho, carinho, carinho… Ou quando ele vai pra morder, nós o afastamos da vítima e esperamos ele se acalmar e em seguida falamos: beijinho, beijinho, beijinho… Já percebemos muitas mudanças. Ele quase não tem feito mais e quando vê o cabelo da irmã, que a tempos atrás ele arrancava tufos e tufos, olha logo pra gente e faz carinho.

Esses dias mesmo escutei na Rádio Bandeirantes uma psicóloga falando que até 1 ano e meio mais ou menos, a criança não entende muito bem quando falamos que algo é certo ou errado, e que nesse momento, temos que apenas mudar o foco da “coisa errada” para a “coisa certa”. Mas depois dessa idade, a criança já começa a entender o que é castigo, disciplina, explicações de certo e errado, etc. Aí sim podemos mudar a nossa atitude na hora da correção. (Na época da Raquel eu não sabia disso!)


Cada criança é de um jeito, e provavelmente seu filho não erra nas mesmas coisas que os meus (talvez até sim), mas o importante é identificar esses erros, perceber se fazem ou não parte do temperamento e se tem sido algo constante. Preste atenção e verifique se essas atitudes tem afetado a vida de outras crianças (e até de outros adultos) e pense: “Se esse erro não for corrigido agora, o que se tornará no futuro?” A Raquel por duas vezes trouxe um pedacinho de massinha da escola sem a professora saber. Nas duas vezes, eu expliquei a ela o que significava roubo e suas consequências, mandei devolver e escrevi na agenda na frente dela, para que soubesse que eu estava comunicando a professora. Avisei que ela seria disciplinada caso o comportamento se repetisse. Conclusão: Ela nunca mais fez! Parece pegação de pé, brigar por causa de um pedacinho de massinha? Mas imaginem se eu levasse isso como “coisa de criança”? O que esse comportamento poderia se tornar? Ela provavelmente continuaria trazendo coisas pra casa, e não só da escola, de outros lugares também e depois, o que aconteceria quando se tornasse adolescente? Adulta?

A criança depende de nós, pais, para crescer um adulto saudável e com limites. Existem comportamentos que são inaceitáveis e se tratados como “coisa de criança” trarão um mal irreparável à ela e a sociedade. As vezes é dolorido aceitar que nossos filhos erram, mas o pior é fingir que não vê! A melhor atitude nessa hora, é corrigir o erro o mais rápido possível ou buscar ajuda, caso não saiba o que fazer. O caráter da criança é formado até os 3 anos de idade e a influência que temos sobre a sua educação é até os 6 ou 7 anos, no máximo. Depois disso, você pode fazer o que quiser e ela só vai mudar o comportamento se “quebrar a cara”, o que é muito mais dolorido e perigoso. Acho que vale a pena nos primeiros anos de vida, ter um dos pais ou responsável o mais próximo possível, atento a todos os detalhes. É um investimento valioso!

Engraçado que no mesmo dia que escrevi esse texto, encontrei duas amigas que estavam voltando de uma reunião de pais da escola, e elas me contaram sobre uma dinâmica que a professora fez na classe, em que cada pai deveria pensar em um defeito do seu filho e amassar uma folha em branco que havia sido distribuida anteriormente. De todos os pais presentes, um não amassou. A professora perguntou o por quê e ele disse que não conseguia encontrar defeito nenhum em seu filho e que as coisas que ele faz, considera como “coisas normais de criança”. Elas me disseram que os outros pais ficaram indignados, mas a professora conseguiu contornar a situação para não criar confusão, mesmo sabendo que o pai estava errado… A primeira pergunta que fiz para elas foi: “Como é este menino?” Eu já imaginava a resposta: “Terrível!”. Infelizmente esse pai não consegue enxergar os erros do filho agora, e nem imagina o que os outros pais pensam a respeito dele, mas logo perceberá a besteira que fez e aí… será tarde demais!

Liberdade? Independência? É algo que se conquista aos poucos, com muito critério, acompanhamento e cuidado. Seu filho terá a vida toda para ser livre. Se você quer passar a sua educação, seus princípios e valores, esteja o mais próximo que puder de seus filhos. Se trabalha fora, ligue várias vezes ao dia, converse com ele. Pergunte sobre ele para outras pessoas, se interesse, busque detalhes. Se você fica em casa, assim como eu, de vez enquando deixe a louça e a roupa de lado. Espere pra fazer na hora que eles dormirem ou forem pra escola, esteja presente não de corpo, mas com a alma! Se feito com amor, carinho e psicologia, não sufoca, ajuda!

Encontramos uma maneira bem legal de mostrar a Raquel o que acontece quando fazemos alguma coisa errada, com base Bíblica, mas numa linguagem infantil. Dissemos à ela que cada vez que fazemos alguma coisa errada, aparece uma manchinha no nosso coração que nos afasta de Deus e contamos que o Único que pode apagar essa manchinha é Jesus! E para isso, precisamos nos arrepender de verdade e perdir perdão à Ele. Ontem mesmo vi o efeito deste ensinamento na vida dela, quando chegou para mim e falou: “Mamãe, o Papai do Céu te conta tudo?” e eu disse: “Não tudo, só algumas coisas, por quê?” E ela disse: “É porque eu cuspi na toalha e agora tem uma manchinha no meu coração, você me ajuda a pedir perdão pra Jesus?”. Eu dei um abraço nela, elogiei por ela ter me contado a verdade e fomos juntas orar pedindo perdão a Deus. Sabemos que Deus não se importa com um cuspe na toalha, mas sim se estamos fazendo algo escondido que desagradam nossos pais, e se ela crescer com esta convicção, será muito mais tranquilo lidar com situações mais complicadas.

Esse é o melhor investimento que tenho feito na minha vida, pois estou trabalhando numa tarefa importantíssima: “Formar pessoas saudáveis, que levarão o amor de Deus por onde andarem!”. Essa vida é passageira, acaba num piscar de olhos… e depois? É nesse depois que tenho investido todo o meu tempo!


Obs.:
Em certos momentos, temos que usar a psicologia e paciência, mas em outros, a disciplina deve ser a primeira opção. Mas que disciplina usar? Acho que isso é muito pessoal, vai de cada família. Aqui em casa encontramos uma maneira que tem dado muito certo, e se você quiser uma dica, leia meu texto sobre “Como disciplinar meu filho?”


Adicional (03/03/11): Acabei de ver uma entrevista no “Mais Você” sobre o caso da menininha Lavínia que foi morta ontem pela madrasta em um motel. Um especialista estava dizendo que podemos perceber logo nos primeiros anos de vida, alguns sinais que demostram se a criança tem uma inclinação para atitudes erradas, e que se estas atitudes não forem corrigidas a tempo, provavelmente se tornarão “atitudes graves” na fase adulta, como o caso dessa madrasta. Os sinais são: crianças que insistem em pegar coisas escondidas, mesmo com correção, crianças que costumam mentir em variadas situações e crianças que tem prazer em fazer maldades com outras crianças e adultos (Não lembro de tudo agora). Papais, fiquem atentos! Se tiver interesse, baixe essa entrevista pela internet.
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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora