MAMÃES DEVEM OU NÃO TRABALHAR FORA?

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Depois que engravidei da Raquel, descobri que tocar neste assunto é como querer discutir política ou religião, simplesmente não dá. O que pode ser bom e correto pra você, pode não ser para outras pessoas. Esta decisão envolve uma série de coisas, assim como o tipo de profissão que você exerce, o quanto gosta dela, o tempo que fica fora de casa, a distância, as despesas, a opinião do seu cônjuge, a educação que tiveram, a disponibilidade de parentes próximos para cuidar dos seus filhos e etc. Com todas estas possibilidades, fica impossível definir o que é certo ou errado.

Vou compartilhar com vocês o que me levou a decidir ficar em casa, e depois, vamos analisar algumas outras situações. Vejam bem, não estou dizendo que a minha experiência é o “exemplo a ser seguido por todos”, não! O que foi bom pra mim pode não ser pra você. Mas como este é um assunto bem delicado, vale a pena ouvir a experiência de outras mães, além de ler matérias e livros especializados. Com certeza vai ajudar muito na sua decisão.

Bom, eu sempre tive dois grandes sonhos: exercer a profissão design de interiores e ser dona de casa, além de mãe de vários filhos. Mas percebi que é praticamente impossível realizar estes dois sonhos juntos, pois um design de interiores, quando entra em um projeto, passa dias e as vezes até noites fora de casa… Provavelmente, com o dinheiro dos projetos, eu poderia pagar alguém para estar com as crianças neste período, mas como ficaria o meu sonho de ser mãe e dona de casa? Então, tive que optar pela minha prioridade, e hoje, vejo que não poderia ter feito escolha melhor!

Na época que engravidei pela primeira vez, trabalhava numa agência de design e gostava bastante. Bom, mas como tinha que sair de casa umas 7h30 e só voltava por volta das 19h30, percebi que seria muito sacrificante para o bebê ficar numa escolinha mais de 12h por dia. Além do que, queria uma escola perto do serviço, para correr até lá em caso de emergência, mas imaginem o valor de uma escola em Campo Belo período integral? Era quase o meu salário todo…

Outra coisa que nos influenciou, foram as diversas matérias que li a respeito da segurança emocional que a criança adquire quando tem a mamãe por perto desde o seu nascimento. Hoje em dia, uma pesquisa recente feita nos EUA, já defende outra idéia sobre este assunto: A satisfação da mãe, diz o estudo, é influência importante na qualidade de seu relacionamento com o filho”. Mas de tempos em tempos aparecem novos estudos defendendo novas idéias, então, fica difícil definir o que é certo.

Mas além disso, eu queria estar muito próxima da Raquel, curtindo cada minuto, acompanhando cada progresso e registrando todos os momentos possíveis. Não queria perder o primeiro sorriso, a primeira gracinha, a primeira sílaba, a primeira “engatinhada”, os primeiros passos… enfim, isso é algo que tem muito significado pra mim! Tenho aquele livro do bebê, da Raquel e do André, onde registro todos os detalhes possíveis e guardo todas as recordações. Gosto muito disso, me faz bem, e sei que se estivesse fora, ficaria muito mal por perder todas essas coisas.

Outra fator importante, é que nenhuma das vovós morava perto o suficiente para cuidar das crianças em tempo integral, e além disso, nós não somos a favor de que os netos sejam criados pelos avós, por uma série de circunstâncias (leia mais sobre isso no post Vovó, escolinha ou babá?). Mas essa é a nossa realidade, não entendam como crítica aos que deixam os filhos com os avós, pelo amor de Deus! Minha irmã mesmo faz isso, mas ela e o meu cunhado vivem outra realidade… Uma vez escutei um psicólogo de família dizendo numa palestra, que quando você tem um filho, para o bem da criança, a primeira opção é você ficar em casa com ele, a segunda, seria ficar com a vovó, titia ou parente de extrema confiança, a terceira, escolinha e em último caso, uma babá. Ele desenvolveu o assunto, justificou todos os pontos e para nós, foi uma boa influência.


Acho importante também estar perto dos meus filhos para acompanhar todos os detalhes do seu desenvolvimento, assim como as coisas que falam e as atitudes que tomam, para que possam ser corrigidas no momento em que acontecem. Dificilmente a escolinha, a babá ou a vovó, irão contar em detalhes as malcriações que seu filho fez, e assim, você não poderá corrigi-lo. Os avós, principalmente, pois costumam esconder as malcriações dos netinhos (por dó) para que os pais não o disciplinem quando chegam em casa cansados do serviço. E no nosso modo de pensar, uma correção no exato momento do mau comportamento, surte muito mais efeito do que a correção feita muito tempo depois.

Além de tudo isso, fizemos as nossas contas e percebemos que apertando um pouquinho aqui, e outro pouquinho ali, eu poderia deixar o trabalho, além do Felipe ser super a favor de eu ficar em casa com as crianças. Pronto, a decisão foi tomada! Mas não esqueçam, essa é a nossa experiência, que envolve diversas circunstâncias particulares. Vamos agora pensar em outras possibilidades…

Existem aquelas mamães que trabalham apenas meio período, como a minha irmã, que é auxiliar de enfermagem, e a minha prima, que é professora. No caso dela, é ainda melhor, pois pôde matricular os filhos na mesma escola e no mesmo período, o que facilitou bastante pra todos.

Existem também aqueles casos em que um dos cônjuges trabalha em casa, e pode conciliar o serviço e os cuidados com o bebê. Conheço uma família aqui do condomínio que o pai é massagista e a mãe fisioterapeuta. Os dois possuem um consultório bem perto e a mamãe trabalha só meio período, então, ela decidiu levar o bebê para o serviço!

Outra realidade, é daquelas mamães que trabalham tempo integral e não vêem problema algum em deixar os seus filhos em escolinhas ou com a babá. Aliás, muitas mamães, mesmo tendo a opção de estar em casa, preferem trabalhar fora, pois além de gostarem muito do que fazem, o seu salário conta bastante na renda familiar. E existem também os papais que preferem ficar em casa com as crianças, enquanto as mamães trabalham fora e hoje, isso está cada vez mais comum.

E por último, lembro das mamães que são sozinhas para sustentar a casa e os filhos. Neste caso, não existe muita opção, mas sei que cada família saberá encontrar a melhor solução!

Com todas essas diferenças de realidade, não podemos nem pensar em discussão! Espero que esse texto te ajude a decidir pelo melhor para a sua família e principalmente pelo seu bebê!

Então, mães a obra! Seja em casa ou fora dela…

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora