SERÁ QUE ISSO SÓ ACONTECE COMIGO?

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Existem momentos em que me pego pensando: “Será que estou sendo filmada? Isso não pode ser real!”. Já assistiram Show de Truman? Pois então, a impressão que tenho é que existem câmeras escondidas pela minha casa e o mundo inteiro está assinstindo o “nosso show”. Bom, você já deve estar bem curioso para saber do que estou falando, então, vou direto ao assunto.

Na nossa rotina semanal, as crianças costumam dormir depois do almoço. Uma soneca de mais ou menos 2 horas, das 13h30 às 15h30. Eles já estão bem acostumados com isso e normalmente não tenho muito trabalho. Depois de escovarem os dentes, coloco-os na cama, dou um beijo e saio da quarto. Simples assim! E são duas horas especiais, onde posso pensar nas minhas coisas (meu blog, e-mails, livros, facebook, cafezinho…). Com excessão dos dias que o serviço de casa fala mais alto, é claro. Só que existem momentos em que o universo parece conspirar contra o meu descanso!

A Raquel, minha mais velha (4 anos), de vez enquando resolve contar tudo o que aconteceu na escola exatamente na hora da soneca (e nunca na hora que perguntamos), além de querer contar em detalhes alguns sonhos que ela teve nos dias anteriores. E com um jeito muito gracioso, contagiante e irresistível, começa a falar. Como o meu caçula (1 ano e 7 meses) não dorme enquanto estiver ouvindo a voz dela, também resolve ligar o seu “Aurélio baby “, e ai surge uma torrente de palavras deliciosas de se escutar: titio, água, papel, smurf, mamãe, tetel (Raquel), ovo, pato, papato, papo (sapo), marney (barney), Bia, paia (praia), vovó, bibi, quesso (queijo)… Nesse momento, o meu sinal de paciência zero começa a apitar. Quando a Raquel percebe isso, através dos meus olhos e do meu tom de voz, resolve declarar o seu amor por mim (muito sábia, não acham?).

Tento segurar toda a impaciência e demonstrar o meu amor por ela também e depois de um beijo digo firmemente: “Agora chega! Vocês precisam dormir!”. E saio do quarto imediatamente para não correr o risco de ser pega novamente pela astúcia infantil.

Cerca de 2 minutos depois, aparece um cara embaixo da minha janela e começa a gritar com todas as forças: Maicooooooooooon!!! Depois de uns 17 gritos sem resposta eu penso: “O que leva esse rapaz a continuar gritando? De duas, uma: ou o seu amigo Maicon não está, ou está, mas não quer atendê-lo.” Com os nervos a flor da pele abro uma fresta da janela e na maior altura faço: “Sssssshhhhhhhhhhhhh!!!” O rapaz constrangido vai embora…

Respiro fundo e penso: “Agora vou curtir o meu momento!” Sento em frente ao computador e de repente ouço um som de gargalhadas estridentes se aproximando. O meu coração começa a palpitar. Três adolescentes de braços dados (porque meninas adolescentes só andam em bando, sempre cochichando e rindo alto) e com o ânimo de quem tomou 1 litro de guaraná em pó misturado com coca-cola, café e energético, gritam e riem numa altura ensurdecedora. Não se entende absolutamente nada do que é falado, mas elas se entendem, eu sei! E tenho certeza disso porque depois de cada grunhido estridente que uma delas solta, as outras duas caem na risada.

Elas se alojam no jardim embaixo da minha janela e começam um sessão de fotos. Depois de aguentar uns 15 minutos penso: “Será que essas garotas não vão tentar outro cenário?” Claro que sim! Elas resolvem tirar fotos no parquinho, que também é embaixo da minha janela. E aos berros elas sobem no escorregador, balanço, trepa trepa… E para cada pose é emitido um grunhido diferente. Fico imaginando: “Será que na cabeça delas a foto sairá melhor se colocarem pra fora toda a alegria através de gritos?” Penso que sim… Uns 20 minutos depois, quando percebo que as meninas não vão desistir tão cedo, resolvo ligar para portaria, como último recurso de uma mãe desesperada que precisa de um pouco de silêncio para os filhos dormirem.

“Alô! Aqui é a Daniela do 14 B, então, tem 3 adolescentes gritando embaixo da minha janela há cerca de 20 minutos, será que vocês poderiam pedir para elas darem uma maneirada no som, pois meu filhos não estão conseguindo dormir.” O porteiro muito compreensivo diz: “Claro senhora, já mando alguém até aí.” Após desligar o interfone, as meninas resolvem ir embora. Dá pra acreditar? Eu tenho ou não tenho razão em pensar que eu estou fazendo parte de show? Uns 10 minutos depois, percebo que um funcionário (que também faz parte do complô contra o meu descanso) chega e não encontrando as meninas resolve se comunicar através do rádio, bem embaixo da minha janela: “Oooo F5, não tem ninguém aqui no playgraund não! Confirma com a moradora se é aqui mesmo, positivo?” Aí, após 10 segundos toca o meu interfone (mega escandaloso) e eu, num pulo do quarto para a cozinha atendo, e do outro lado da linha o porteiro diz: “Dna. Daniela, a senhora tem certeza que elas estão aí?” Depois de uma longa inspiração e com uma paciência que neste momento chega a ser sobrenatural, digo: “Elas acabaram de sair, desculpe atrapalhar, obrigada!”

De repente o André chora! Chora muito, mas muito alto. Eu corro até o quarto com medo da Raquel acordar (ou não dormir mais, porque pra mim ela ainda estava acordada) e durante 25 minutos tento fazê-lo dormir, com a esperança de que sobrem pelo menos 15 minutos pra mim, só pra mim! Balanço no colo, dou um pouco de leite, fico segurando a mãozinha e até deito no berço, tamanho o meu desespero. Depois de muito tempo, ele adormece… Levanto em câmera lenta e saio do quarto flutuando.

Vou até a cozinha, preparo um café e no maior silêncio possível me dirijo até o computador, sento, respiro fundo e… a porta do quarto se abre e a Raquel diz: “Mamãe, eu não quero mais dormir.” E eu penso: “Mas você chegou a dormir?”

Pois é, tem dias que são assim… Alguns deles as adolescentes são substituídas por furadeiras, gritos de crianças ou o ranger do balanço. Talvez se eu morasse em casa, o complô seria formado pelo carro da pamonha, o caminhão do gás e o homem dos ovos…sei lá. Mas a minha dúvida é: Será que isso só acontece comigo?

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora