COMO FAZER MEU FILHO GOSTAR DE VERDURAS E LEGUMES?

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                  Aqui estão 21 dicas que respondem a essa pergunta!

A melhor receita para ensinar seu filho a comer de maneira saudável, é uma mistura de informação, paciência, criatividade e perseverança. Vou te dar agora um dos principais ingredientes: a informação, aliás, muita informação! Como diz meu marido, já tenho minha tese pronta quando concluir meu curso de psicologia infantil, rs. Há quase um ano, estudo e pesquiso sobre este assunto. Li e assisti a diversas matérias, fiz uma pesquisa com quase 50 mamães, além de buscar informações em vários livros especializados. Fora a minha experiência com os dois pequeninhos aqui em casa. O texto a seguir é um resumo de tudo isso. Fique a vontade para se lambuzar e lamber os dedos!
 
Pense comigo: Se você morasse em uma cidade onde o hábito alimentar de toda população fosse apenas de produtos saudáveis (principalmente vegetais) e se o seu filho não fosse apresentado a doces e guloseimas até os 7 anos de idade, será que ele detestaria verduras e legumes? É bem provável que não! No decorrer do texto, você vai perceber que os grandes responsáveis pela má alimentação dos filhos, na maioria dos casos, são os pais – ou responsáveis (lembrando que essa não é uma opinião minha, e sim resultado de anos de pesquisas). A seguir, estão todas as dicas e conselhos para que seu filho aprenda a comer bem e de forma saudável. Você só precisa entrar com a paciência e persistência! E aí, topa?

1.Respeite os horários das refeições

A criança – e adultos também – deveriam se alimentar cinco a seis vezes por dia (café da manhã, lanche, almoço, lanche, jantar e lanche) e quanto mais acostumada com uma rotina, melhor ela irá comer. Nesse caso, seja claro: Se não comer naquela hora, terá de esperar pela próxima refeição e resista a tentação de oferecer outras opções de alimento. A criança deve se alimentar em um lugar calmo, arejado e limpo, ela deve ter atenção e prazer neste momento.

2. Dê o exemplo

Quer uma criança que não faz cara feia para o brócolis? Coma o vegetal com vontade! Não pense que vai criar um filho fã de frutas e verduras se você não é. Se a mãe e o pai torcem o nariz para verduras e legumes, o filho também não vai ter vontade de experimentar. A criança aprende mais observando o comportamento dos pais do que ouvindo o que eles falam. Se você acompanha seu filho na hora da refeição, por exemplo, além de ver como ele está se comportando e quais alimentos ingere, ainda poderá ensiná-lo a comer bem, mostrando como se faz. E não pense que dar o exemplo apenas uma vez por semana vai resolver. O trabalho tem que ser diário! Em uma pesquisa, apenas 25% dos pais ouvidos comem vegetais, legumes ou frutas três vezes por dia (o ideal). Cerca de 32% os consomem só uma vez. O número cai para 18% quando falamos das crianças.

3. Sem exageros na quantia

Nada de encher o prato do seu filho com a comida, espere ele pedir se quiser mais. Atenção porém, à quantidade colocada no prato. Imagine o tamanho do estômago dele e prepare a porção proporcionalmente. Se ele come bem e está com peso e altura normais, não há motivos para preocupação quando o pequeno diz que não quer mais. Todo mundo tem o direito de não comer tanto quanto o pai e a mãe esperam. As crianças passam por fases, tem dias que comem muito e outros não comem nada, temos que balencear e usar o bom senso. Algumas crianças são glutonas, outras estão ‘estragadas’: sabem que os pais vão dar na boca ou ficar correndo atrás dela pela casa com o prato na mão. O que não pode é o pai se desesperar e oferecer qualquer alimento. Lembre-se também de que o importante é avaliar o que a criança comeu durante a semana, e não apenas basear seu desespero em uma refeição que não ocorreu do modo como você esperava. Ela não vai morrer se deixar de almoçar, mas também não vai ter sobremesa e terá que esperar a próxima refeição.

4. Não faça malabarismos

A criança precisa aprender que comer é importante e gostoso! Ela precisa experimentar e sentir os sabores dos alimentos. Vídeo-game e televisão, acabam distraindo realmente a criança daquilo que ela deveria fazer. Segundo várias pesquisas, esse é um passo grande para a obesidade ou falta de apetite: deixar a criança comer na frente da TV. Resultado: ela não se concentra na refeição, não distingue os sabores dos alimentos e, como nem percebe a quantidade do que está ingerindo, pode começar a comer compulsivamente e se tornar obesa ou quem sabe, não ter prazer nenhum na degustação dos alimentos.

6. Comer = Prazer

A hora da refeição deve ser séria, mas não rígida, ou você transformará a mesa em um verdadeiro campo de guerra. Tudo bem deixar seu filho comer na sala uma vez ou outra. Vale até programar um dia de DVD com jantar na sala. Estipule dias específicos para isso, como os finais de semana. Se você combinar isso junto com seus filhos, com antecedência, dificilmente irão insistir para assistir TV na hora das refeições. Recomendo evitar disputas de poder nessa hora, com discussões do tipo “você tem de comer mais duas colheradas de feijão, senão não terá sobremesa”. Nessa situação, as crianças tendem a querer assumir o controle da vida delas decidindo não comer. Todos os conflitos devem ser discutidos fora da mesa, em outro momento, nem que seja cinco minutos antes ou depois da refeição.

5. Desenvolva o gosto de sentar-se à mesa

Quando a família estiver em casa, aposte em refeições coletivas, que deverão ser feitas sem televisão e com toda família na mesa. Seu filho vai associar a hora de comer à satisfação da convivência com a família, e ainda aprender como se comportar, seguindo seu exemplo, ao usar os talheres, cortar os alimentos, etc. Se os pais trabalham fora, os responsáveis que ficam com a criança devem fazer dessa maneira. Mas o ideal é procurar um horário que todos estejam em casa para comerem juntos e compartilharem suas experiências do dia. Existe uma pesquisa que diz que quando a criança aprende a comer à mesa com a família, ela se torna um adolescente muito mais aberto e comunicativo com os pais. Nós fazemos isso aqui em casa e tem sido uma experiência maravilhosa! Outras pesquisas recentes mostram que crianças e adolescentes ficam melhor emocionalmente e tiram melhores notas na escola quando fazem refeições com a família com mais frequência, especialmente quando conversam uns com os outros, dão risada, relaxam. Também há evidências de que a qualidade nutricional da refeição tende a ser melhor nesse cenário. Quando as refeições feitas em casa são frequentes, as crianças comem mais vegetais e alimentos mais nutritivos. Comece com uma vez por semana, pode ser o jantar, o café da manhã, tanto faz. Tão logo todos possam estar juntos, faça uma refeição especial, para essa experiência ter mais valor. De vez enquando, vale acender velas, pôr uma música ambiente, os melhores pratos e guardanapos na mesa. E, claro, uma comida saudável de que todo mundo goste. Uma sugestão, é sempre deixar a travessa de legumes ou verduras sempre a mesa e muito bem apresentável. Mostre aos seus filhos o prazer que tem de colocar essas delícias no seu prato (e principalmente na sua boca). Faça esse exercício diariamente! Isso dará uma sensação de grande prazer, que todos vão querer repetir.

7. Líquidos depois

Deixe para oferecer água e sucos depois das refeições, não durante. Se você encher a barriga de água durante a refeição, seu estômago não vai conseguir digerir os alimentos da maneira correta, além de preencher um espaço que deveria ser da comida, levando embora o apetite. Ah, vale lembrar que refrigerante nunca deve ser uma opção em casa! Opte sempre por água, sucos naturais ou no máximo, os concentrados. Os sucos artificiais e em pó, fazem um grande mal para saúde, pois os corantes e as gomas engrossantes, se fixam nas paredes do estômago e intestino, podendo trazer diversos males (inclusive câncer) com o passar do tempo. Se seu filho não consegue comer sem beber alguma coisa, vá negociando aos poucos, mudando uma refeição por dia inicialmente. Lembre-se que é um sacrifício essencial para o bem estar dele. O meu caçula tinha essa mania e fomos tirando aos poucos, assim como fizemos com a mais velha. Hoje, com 1 ano e 7 meses, ele consegue terminar uma refeição sem precisar beber nada. Mas em outras ele pede, principalmente quando vê um copo de suco ou água, neste caso, abrimos uma excessão. É um trabalho que deve ser feito aos poucos, mas posso afirmar que funciona! Lembrando que o exemplo diz tudo. Se você só consegue comer bebendo, como vai pedir que seu filho não faça isso?

8. Não transforme guloseimas em prêmio

Sabe aquela famosa frase “se você comer tudo, ganha sobremesa”? Risque do seu repertório. Falando isso, a criança associa o que está comendo a um sacrifício, e o “prêmio” fica ainda mais apetitoso. Dizer para a criança comer porque faz bem para a saúde ou propor recompensas não funciona. É melhor educá-la para sentir prazer e apreciar o gosto dos alimentos. A idéia de que depois da tortura vem a recompensa, só piora a noção de que vegetais e legumes são ruins. Não associe a alimentação a recompensas, chantagens, subornos ou castigos para forçar a criança a comer. Aqui em casa, costumamos ter uma fruta após as refeições como sobremesa (doces e guloseimas ficam reservados para fins de semana e ocasiões especiais). As crianças já sabem disso, e quando terminam de comer, logo pedem a fruta. Isso fez com que a Raquel tivesse muito prazer por frutas! Além disso, reforçamos sempre como os alimentos fazem bem e são nutritivos, tanto que hoje, depois que ela come algum doce, logo em seguida pede uma fruta. Uma sugestão, é deixar a fruta ao lado do prato durante a refeição, mas se seu filho for como o meu caçula, é melhor deixá-la fora de vista, para que ele não rejeite a comida.

9. Menu com as crianças

Defina o cardápio da semana com a colaboração da criança. Ela participa e ainda ajuda a evitar repetições das comidas, e com certeza se sentirá super importante, o que será um incentivo na hora da refeição. Depois que estiver pronto, cole em algum lugar visível, como a geladeira. No decorrer do dia você pode chamar seu filho e dizer: “Lembra que nós combinamos que hoje teremos carne, arroz, feijão, cenoura e brócolis no jantar? Você me ajuda a preparar?”

10. Leve seu filho ao mercado ou a feira

Leve a criança às compras e combine que ajudará a escolher os ingredientes da semana, desde a salada até a sobremesa. Permita que ela toque as frutas, legumes e verduras. Vá explicando o nome de cada uma e qual a importância dela no seu organismo. Mas que isso se torne um hábito da família, pois não adianta fazer esse programa uma vez a cada 2 meses e achar que vai funcionar, pois não vai. Na sua casa, deixe as frutas em um lugar visível, de fácil acesso, pois o colorido desperta o apetite e estimula a ingestão. Deixe a criança brincar com os alimentos e convide-a a participar da feira semanal e do preparo dos pratos. Ver que a cenoura é cor de laranja, sentir a textura de sua casca, comprá-la e observar a preparação, pode despertar o interesse pela até então desconhecida e rejeitada raiz.

11. Inclua-o na preparação da refeição

Peça a seu filho que ajude a separar os ingredientes, colocá-los dentro da panela, arrumar a mesa, etc. Ele vai ficar ansioso para provar as delícias que fez. Se a criança participa dessas atividades, fica mais predisposta a comer o que é oferecido. Com certeza é a melhor estratégia para deixá-la interessada na comida e ensinar-lhe algo sobre nutrição. Quanto maior a participação no ritual, melhor a qualidade do ritual. Quando a mãe faz tudo sozinha, sem ajuda, os filhos se comportam como clientes, clientes que reclamam quando não se sentem bem atendidos. Aqui em casa fazemos assim e tem dado muito certo! As crianças adoram ajudar na preparação dos alimentos, fazem uma certa bagunça, é claro, mas a alegria de vê-las comendo com satisfação supera tudo isso. Vale deixá-las comer brócolis com as mãos e reservar algum momento para preparar com eles uma receita de bolo. Deixe-as quebrar um ovo, mexer a massa e até raspar a tigela. Dar a elas informação sobre os alimentos é a única forma de garantir que façam boas escolhas no futuro.

12. Um cardápio para todos

Depois que seu filho passar da fase da papinha, pode comer a mesma comida da família, com o tempero da casa. Ninguém é obrigado a comer o que não gosta, mas a mãe não deve preparar alimentos especiais para cada filho e nem perguntar o que eles desejam comer, a única opção é a refeição que foi preparada para toda a família. Se não gostam de algum ítem, comam apenas o que gostam, sem brigas. Uma mãe que tem filhos e maridos com muitas restrições alimentares, pode optar por cada dia preparar uma refeição que agrade a um deles e não ter o costume de preparar 2 ou 3 refeições diferentes por dia, pois assim, seus filhos perceberão que podem optar somente por aquilo que gostam.

13. Considere a diferença entre lanche e refeição

O café-da-manhã, almoço e jantar são as refeições maiores do dia e não devem ser substituídas por lanches. A não ser em um dia especial, mas vá de receitas saudáveis. Os lanches que são oferecidos entre as refeições devem ser em pequenas porções e muito saudáveis, como frutas, iogurte, cereal, bolacha integral, etc. O ideal é não comprar muitas bolachas recheadas, salgadinhos e doces, pois seu filho saberá que o armário está recheado de coisas do tipo, o que será uma grande tentação. Aqui em casa, o André toma apenas um suco de frutas entre o café da manhã e almoço e de vez enquando ofereço uma fruta, para que ele não perca o apetite. Já no lanche da tarde, os dois costumam comer uma fruta e depois um cereal, farinha láctea, uva passa, soja temperada, pão ou bolacha. Mas isso deve acontecer no mínimo 2h antes do jantar. Se o seu filho rejeitou uma refeição principal ou quem sabe comeu muito pouco, deixe claro que ela não será substituída e que ele deverá esperar a hora do lanche. Se você for firme neste princípio e não desrespeitar os horários estipulados das refeições, pode ter certeza que seu filho pensará 2 vezes antes de deixar de comer novamente. Ah, lembre-se que o leite nunca deve substituir refeições.

14. Mude a rotina

Faça uma refeição diferente. Monte uma mesa de piquenique com alimentos nutritivos e invista na decoração. Chame seu filho para lanchar, ele vai adorar. Comer fora não deve se tornar um hábito, mas de vez enquando vale a pena dar uma saidinha. Uma ou duas vezes por mês, se for possível, vá a um restaurante ou compre uma pizza. Lanches também são bem-vindos de vez enquando, mas opte por hamburguer feito em casa acompanhado de queijo branco, além de caprichar na salada. As batatas-fritas podem ser substituídas por batatinhas assadas com casca. Além de mais saudáveis, ficam super crocantes e saborosas! Seguindo essas dicas, você não vai se sentir culpada quando seu filho exagerar nas festinhas ou quando forem a um fast-food.

15. Faça uma horta

Plante tudo que o tamanho de seu quintal permitir ou use vasinhos de tempero. Seu filho vai adorar regar a planta, vê-la crescer, colher e, claro, comer tudo! Ele vai ver os alimentos crescendo, poderá colhê-los, irá acompanhar o preparo da salada e, muito provavelmente, não reclamará de comer aquillo que ele mesmo fez. Mas não adianta plantar salsinha, usar no tempero da salada e depois de ver que não funcionaou, desistir… Como tudo o que foi dito, você deve ser persistente, e isso deve se tornar um hábito!

16. A lancheira da escola

Prefira lanches saudáveis, como sanduíches de pão integral com pasta de soja e queijo branco, salada de frutas com granola, sucos de frutas, barras de cereal, balas de banana sem adição de açúcar, frutas secas e crocantes, cookies de cacau e chocolate com pelo menos 40% de cacau. O ideal é só comprar lanche na escola quando houver algum imprevisto. Leve lanche de casa quando sairem a passeio, é também uma forma de evitar alimentos pouco nutritivos. É claro que fica difícil manter uma lancheira 100% saudável, mas se você colocar sempre uma fruta e trocar a bolacha recheada por uma integral com patê de atum ou frango, feito com iogurte, já será um grande avanço, e permitirá que seu filho abuse nas guloseimas de vez enquando. Ah! Doces e refrigerante na lancheira, nem pensar!

17. Exercite a sua criatividade

Se por volta dos 2 anos a criança passa a estranhar alguns alimentos, essa também é a fase em que começa a exercitar a fantasia. Então, por que não fazer da hora da comida um momento de imaginação? Conte histórias e faça jogos para estimulá-los a comer. Uma simples receita de macarrão com legumes pode virar uma poção mágica e as crianças podem se divertir (e comer melhor) se forem desafiadas a adivinhar o conteúdo de cada colherada. A Raquel, quando era menor, se divertia quando ao encher uma colher, dizíamos que algum ratinho estava comendo a comida dela, e ao olharmos pro lado ela comia rapidinho fingindo ser o ratinho. Variar nos cortes, na preparação e na apresentação também podem ajudar. Se a criança não come brócolis refogado, tente fazer bolinho de brócolis ou colocar a verdura no arroz. Muitas crianças podem rejeitar cenoura cortada em rodelas, mas gostar de comê-las em palitinhos molhando em algum creme especial. E um prato com uma carinha desenhada com os alimentos é bem mais atraente do que a disposição simples da comida.

18. Na escola

Quando a escola não é uma aliada da dieta, os pais precisam encontrar artifícios para driblar a comida ruim que atrai as crianças. E não só na escola, por isso, levar lanche de casa é a melhor saída. Mas muitas vezes em turma, a influência dos pais tende a reduzir. Como garantir que, longe dos adultos, as crianças saberão o que escolher? Impor limites do tipo: “Se for comer hambúrguer, não peça batata frita e tome um suco natural.” faz muita diferença. Isso se chama “autonomia supervisionada”. A criança que desobedece, a perde.

19. Seja persistente

É comum os pais se preocuparem com a qualidade da alimentação dos filhos quando a criança começa a engordar ou está magra demais. Há, no entanto, um batalhão de crianças que crescem e engordam como recomendam mas que não comem de forma saudável. Essas crianças podem ter problemas de colesterol alto, diabetes e até desnutrição. A busca por hábitos alimentares saudáveis começa com o envolvimento de toda a família. Varie o modo de preparo dos alimentos. A cenoura que a criança rejeitou cozida deve ser oferecida ralada, em miniatura e também em bolinhos, em intervalos de pelo menos cinco dias. Pais que desistem ao primeiro ‘não gosto’ cometem um erro grave. Experiências científicas mostram que se deve oferecer o mesmo alimento no mínimo 15 vezes com modos de preparos diferentes em grandes intervalos – e só então concluir que a criança de fato não gosta dele. Quanto mais lúdica for a relação da criança com o alimento, mais chance ela terá de aceitá-lo. Os pediatras reconhecem que alimentar uma criança não é fácil. Elas manifestam vontade e opinião própria bem cedo. Mas o desafio de fazê-las comer bem se torna mais difícil à medida que os pais cedem a seus desejos. Se você está nessa fase, considere uma vitória se ela apenas experimentar. Suportar a birra e até a queixa de fome por um dia pode garantir almoços felizes no futuro!

20. Cuidado com o que fala!

Quando seu filho rejeitar algum alimento, não saia por aí dizendo que ele não gosta de tal legume e faz cara de nojo para tal verdura. A criança absorve tudo o que escuta. Pode até ser que nas primeiras vezes ela tenha estranhado o sabor da couve ou da abobrinha, mas seguindo todas as dicas acima, provavelmente passaria a aceitar com o tempo. Mas se você disser que seu filho não gosta de berinjela, por exemplo, e ele escutar, imediatamente um bloqueio será criado na sua mente, o que fará com que acredite naquilo por muitos e muitos anos, até quem sabe um dia (com muita sorte) resolva experimentar e descubra que o alimento não é tão ruim assim como ele imaginava… Como já foi dito, os pais são os grandes responsáveis em fazer com que os filhos gostem ou não de legumes e verduras, portanto, tome muito cuidado com o que fala!

21. Gordinhos x Dietas

Quando a situação do seu filho é a magreza, deve apenas preocupar-se caso a evolução física dele não seja a mais normal. Desde que se alimente e tenha saúde, a magreza em nada prejudica o seu bem estar, pois é apenas uma questão de constituição física. No caso oposto à magreza, está a obesidade que é deveras uma preocupação. Se a criança tem fome, os pais com pena de lhe negar comida, dão-lhe tudo o que ela pede e nem reparam nas misturas alimentares que fazem. Mais tarde, os problemas de obesidade têm obrigatoriamente que se fazer sentir e a criança pode vir a sofrer com isso, não só fisicamente como também psicologicamente. Bolos, chocolates e doces em exagero é a alimentação normal de muitas crianças, que acabam por não vir a constituir um organismo saudável, mas sim obeso e repleto de calorias. Nestes casos, as dietas só devem ser recomendadas pelo pediatra, e não dar ao seu filho a dieta que a sua amiga está fazendo no momento. Guloseimas devem ser uma exceção, e evite que comam entre as refeições. Acima de tudo, dê-lhes muita água para beber, não só porque é importante para o seu organismo, mas também porque ajuda a cortar a fome entre as refeições.

“Com a Raquel, nossa primeira filha, fomos extremamente rigorosos, seguindo todas as dicas acima. Hoje, com quase 5 anos, colhemos excelentes resultados. Ela ama frutas, verduras e legumes! Dêem uma olhada no vídeo dela detonando os vegetais (e hoje, com quase 5 anos, ela continua assim)! Pra vocês terem uma idéia, esses dias, depois de comer todo o almoço e a fruta de sobremesa, ela disse que queria mais alguma coisinha. Como eu disse que não tinha, ela falou: “Então me dá um pouco de couve mesmo!” Acreditem ou não, ela comeu um prato de couve! Toda salada que sobra das refeições, quem termina é a Raquel. Já o André, por ser segundo filho, descobriu as guloseimas muito cedo, o que influenciou no seu paladar para que tivesse predileção por sabores mais fortes. Estamos tendo um pouco mais de trabalho, mas seguindo todas as dicas, já temos visto ótimos resultados! E se eu consegui, você também pode! Pode ser que você tenha um pouco mais de trabalho, dependendo do histórico, contexto e idade do seu filho, mas perseverando, tenho certeza que dentro de algumas semanas (ou meses, dependendo do caso) você verá bons resultados.

Lembrando que todas as regras acima valem na casa da avó ou com a babá. Esses dias uma mamãe veio conversar comigo numa festinha dizendo que o seu filho mais velho só comia alface, batata e strogonoff. E eu disse: “Só isso? Mais nada mesmo?” E ela respondeu que sim. Perguntei se sempre foi assim e ela disse que não, que começou a partir dos 4 anos. Perguntei se ele havia passado por algum trauma nessa época e ela me respondeu que foi quando o pai saiu de casa… Assim como algumas crianças desenvolvem outras reações quando passam por algum trauma, como voltar a fazer xixi na cama, outras simplesmente param de comer. É um modo que encontram de expressar a sua dor. Essa mesma mãe me disse que os filhos passam o dia com a avó, que sempre cede tudo o que eles pedem (assim como a maioria das avós). Como essa mãe pode conseguir alguma mudança? Do jeito que está, infelizmente não dá! Neste caso, a avó teria que seguir todas as regras de alimentação impostas pela mãe (ou pela família). É um trabalho árduo, mas que vale uma vida!”

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Fontes de pesquisa: Revista Crescer, Folha On Line, Manual Filhos – De 2 a 10 anos de idade, Revista Época, ABC do Bebê, e-family.net, Revista Vida e Saúde, Quem Ama Educa – Içami Tiba, A Família que Você Sempre Sonhou – Gary Chapman e Manual “O que esperar dos primeiros anos”.

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora