REJEIÇÃO A NOVOS ALIMENTOS

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Neofobia Alimentar (Rejeição a alimentos desconhecidos) 
Por volta dos 2 ou 3 anos de idade é que as preferências e rejeições começam a aparecer com mais nitidez. Além da genética, algumas dimensões, como a cultura, orientam as preferências. A criança nasce com uma certa predisposição para gostar de uma comida e fazer cara feia para outras, mas a educação que recebe influencia e muito. Como parte da formação do paladar vem do aprendizado, os pais têm papel fundamental. Se, desde pequenos, os filhos têm uma alimentação saudável, com pouca gordura, pouco sal, que privilegia produtos naturais, eles vão crescer aprendendo a apreciar aqueles pratos. Vão rejeitar o refrigerante nas festinhas e as frituras na escola, porque, para eles, gostosos serão os sucos, as saladas e as frutas. 
A responsabilidade sobre a alimentação dos pequenos é dos pais. São eles que devem decidir o que vai ser servido à mesa todos os dias e o que só entra de vez em quando. Nenhuma pessoa sente gostos e cheiros da mesma forma que outra, além disso, o paladar muda conforme a idade. O meu esposo é a prova disso. Antes de casar, ele não comia arroz-doce, palmito, xuxu, berinjela e nem lentilha. Depois de experimentar algumas vezes, com outros modos de preparo, ele passou a gostar. Se o contexto for positivo, seu filho vai olhar a comida com uma atitude mais favorável. Por exemplo, não tente introduzir no mesmo dia todos os vegetais amargos. Sirva-os um de cada vez, sempre acompanhados de um dos pratos preferidos dele. Ofereça as frutas picadinhas ou em palitos. Se as crianças percebem os pais comendo abóbora com satisfação, vão associar o prazer àquele alimento, e assim fica mais fácil gostar dele. É a neofobia alimentar. Na natureza é um fato banal, necessário para a sobrevivência, pois não se sabe se o alimento novo é seguro para a saúde. Mas se eles perceberem através dos pais o quanto é prazeroso e saudável ingerir aquele alimento, muitos dos obstáculos no caminho até as verduras e legumes serão eliminados!
Outra explicação possível para recusa alimentar, é que a partir dos 2 anos, os pequenos entram na fase do “não”, e uma das poucas maneiras que têm para se auto-afirmar é à mesa. Como também, nessa fase eles começam a freqüentar a escola e aprender muitas coisas novas, os alimentos conhecidos representam uma espécie de porto seguro, algo familiar com que podem contar. As pesquisas não explicam por que algumas crianças são mais neófobas que outras. O ideal é usar o bom senso e compensar a ingestão das guloseimas com muita fruta, verdura, legume, e transformá-los também em alimentos prazerosos para os pequenos. Persistência é fundamental! Fazer com que seu filho se acostume a novos sabores é uma tarefa que leva semanas (as vezes meses!). Quando for dar um novo alimento, apresente-o em pequenas quantidades e repetidamente, para a criança poder se acostumar com o gosto. Boa parte dos adultos, por exemplo, não gosta de comida japonesa logo de cara. Eles se acostumam aos poucos, e é assim que acontece com os pequenos. Ou seja, se seu filho reclamar da abobrinha na primeira vez, espere alguns dias e ofereça de novo. Tente também novas formas de preparo do alimento. Na quinta vez, ele reclamará menos.
A Raquel, por volta dos 2 anos, começou a rejeitar mamão e abacate, e sabe o que eu fiz? Simplesmente ignorei. Não tocava no assunto, mas sempre voltava a oferecer, com modos de preparo diferentes. Quando ela estava com 3 anos e meio, resolveu experimentar novamente e gostou. Hoje, ela é louca por abacate amassado com açúcar e limão – que ela mesma prepara! O mamão ela come bem, mas tem que estar docinho…rs. Com uns 3 anos, ela também passou a dizer que não gostava mais de feijão. O que eu fiz? Ignorei e continuei a colocar no prato, todos os dias, além de comer mostrando o quanto era bom. Nunca briguei. Depois de alguns meses, ela voltou a comer como se nada tivesse acontecido. Hoje, com quase 5 anos, ela adora feijão! É uma das primeiras coisas que ela come quando senta à mesa!
Quase toda criança em algum momento da infância terá um período alimentar difícil, alertam os pediatras. A recusa a alimentos pode começar na transição da papinha para o alimento sólido. Em geral, piora aos 2 anos, quando o ritmo de crescimento diminui, e se torna mais crítica quando a criança percebe a importância que os pais dão as frutas, verduras e legumes. Costuma melhorar depois da fase pré-escolar, que vai até os 6 anos. Mas pode se estender até o início da adolescência. A duração e a intensidade dessa fase dependem não só do temperamento e da sensibilidade da criança, mas, sobretudo, da maneira como a família tratar essa rejeição. A neofobia alimentar, pode levar a hábitos adultos pouco saudáveis. O pai que ceder aos desejos do filho e trocar o prato de comida por um sanduíche abre um precedente perigoso, pois a criança passa a exigir os alimentos que prefere. Ela diz não a verduras e legumes porque quer o biscoito, o salgadinho, a mamadeira.
Mas o que fazer se a criança diz que não quer comer salada e que detesta legumes? O principal conselho dos especialistas é não se exaltar ou chantagear a criança para que ela coma. Também não se deve substituir o arroz e o feijão pelo sanduíche ou pela batata frita. Aceite o não de seu filho. Ele não vai ficar doente ou desnutrido por não almoçar. De um modo geral, diz ele, as crianças cedem na próxima refeição. O grande problema é que os pais cedem antes. Apela-se para as trocas (só vai brincar se raspar o prato) e até recompensas (compro o brinquedo se você comer tudo). A refeição se torna um momento de barganhas. Num cenário como esse, como ensinar os pequenos a fazer escolhas certas? 
A predileção pelo doce, no entanto, parece ser genética. Mas é possível moldar o paladar para se satisfazer com pouco doce, uma maneira é desde bebê oferecer suco sem açúcar e evitar doces sempre que possível, especialmente até os 2 anos, que é um momento especial da infância. A criança tende a reproduzir o padrão desse período quando for maior. Os meus filhos, por exemplo, se acostumaram com suco de laranja sem açúcar. No início, eu oferecia o suco da laranja lima, que é bem doce, mas aos poucos, fui acrescentando a laranja pera, e hoje, os 2 tomam suco de laranja puro sem açúcar, pois o paladar foi acostumado assim. Dessa maneira, qualquer suco que for oferecido com pouco (ou nenhum) açúcar, será facilmente aceito, pois o paladar se adaptou bem a acidez. 
Bom senso 
Os pais também precisam lembrar que as crianças não vão gostar de todos os alimentos. Se seu filho não come cenoura, mas aceita a abóbora, não há problema. Um substitui o outro. Seu filho também não vai se alimentar na hora certa se você oferecer lanchinhos o dia todo, principalmente se deixar frutas de lado e privilegiar produtos industrializados. É bom comer no meio da manhã e da tarde, desde que esses lanches sejam saudáveis. Se a criança vê que a família presta atenção no que ela não come, acaba usando os alimentos para fazer chantagem, e os pais fazem o mesmo: “Se comer a papinha, vai ganhar salgadinho.” A questão é não obrigá-la a comer. Se não está com fome para o almoço, não vai ter fome para o doce. É uma questão de combinar as normas.
A alimentação, como tudo na vida, também precisa de regras claras e, para que seu filho não precise passar por uma reeducação alimentar mais tarde, nada melhor que educá-lo agora. A primeira coisa a fazer é conversar com o pediatra para descartar eventuais doenças que podem tirar seu apetite, como, por exemplo, anemia. Resfriado, dor de garganta ou de ouvido, além dos dentinhos, levam o apetite embora mesmo. Algumas levam até uma semana para restabelecer a rotina de alimentação, mas isso não deve ser motivo de preocupação excessiva, pois o organismo dos pequenos possui uma reserva para enfrentar essas situações. Mas se nada for constatado e a criança estiver saudável, é preciso adotar certas medidas. A primeira é manter um intervalo em torno de duas horas entre as refeições, para que seu filho esteja com fome na hora de comer. Se ele for almoçar às 11 horas, não deve ingerir nada, até mesmo sucos, a partir das 9 da manhã.
Outra coisa importante é não obrigar a criança a comer e permitir desde cedo que se alimente sozinha. Isso dará um grande estimulo à ela! Ofereça todos os dias um prato bem colorido e nutritivo e coma junto com ela, mostrando que aprecia todos os alimentos. Deixe que ela coma sozinha ajudando-a de vez enquando (esqueça a sujeira!). Se ela rejeitar alguma coisa, simplesmente ignore e continue comendo com prazer! Se ela não comer o tanto que você gostaria, não se preocupe, continue sendo persistente e logo verá bons resultados. “Nunca castigue seu filho caso ele rejeite determinado alimento. Isso fará com que a criança tenha uma experiência negativa por aquele alimento, associando-o a uma coisa ruim”. Também não perca tempo forçando a criança a aceitar couve de bruxelas, especialmente se ela já come chuchu, espinafre e batata doce. Seu filho não é obrigado a gostar de todas as verduras e legumes existentes na face da Terra. 
O meu caçula, é uma criança totalmente propensa a recusa de legumes e verduras (ao contrário da mais velha). Como eu já havia pesquisado e estudado sobre o assunto, coloquei em prática tudo o que vocês estão lendo aqui. Diversas vezes ele deixou de comer, cuspiu e rejeitou verduras, mas com a nossa persistência e paciência, temos vistos grandes avanços. Em todas as refeições preparo o prato bem colorido, com diversas opções de verduras e legumes. No início, ele deixava de lado as verduras e legumes, mas hoje, já come várias delas. 
Nunca o obriguei a comer e nem fiquei brava por não ter comido. Ficava muito chateada, é claro, mas não expressava. Quando oferecemos algum alimento novo, a tendência dele é não experimentar ou se experimenta, cospe. Mas nós todos demonstramos ao comer, como o alimento é gostoso, e na maioria das vezes ele acaba comendo. Como ele gosta muito de feijão e farinha, as vezes a saída é misturar com a verdura ou o legume, mas só fazemos isso de vez enquando, bem no final da refeição, depois que ele já comeu sozinho tudo o que queria. Esses dias tivemos uma experiência legal com a cenoura e o xuxu, que eram alimentos rejeitados inicialmente. Preparei a cenoura ralada, temperada como salada e coloquei no prato dele. Ele nem encostou… Nós começamos a comer e dizer o quanto estava bom. Ele resolveu experimentar. Gostou tanto que pediu a travessa e comeu de colheradas! Já o xuxu, ele me ajudou a picar e temperar. Quando terminamos, ele pediu um garfo e comeu quase metade da travessa. Se eu tivesse resolvido brigar ou forçá-lo a comer, com certeza o final teria sido bem diferente.
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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora