CRIANDO FILHOS INDEPENDENTES

0

Como é difícil (e muitas vezes até dolorido) para uma mãe fazer com que seu filho cresça e se torne independente. Muitas mamães levam isso numa boa, mas outras, sofrem. E por conta deste sofrimento acabam tomando atitudes erradas, com a ilusão de que estão “desacelerando” o tempo. Quando fazemos pela criança algo que ela já sabe e pode fazer sozinha, impedimos que se desenvolva de forma sadia e correta. Sabe quando a mamãe passarinho empurra seu filhote do ninho para aprender a voar? É disso que estou falando. A cada fase, nossos pequenos precisam de um “empurrão” para aprender a voar sozinhos. Como bem diz o salmista, os filhos são como flechas na mão do guerreiro. Não podemos guardá-los para sempre em nossa aljava (que bom seria se fosse assim), mas precisamos atirá-los, mirando sempre no alvo. A independência acontece aos poucos e deve-se começar cedo, em situações como o hábito de dormir sozinho ou segurar a mamadeira, por exemplo. Cada aprendizado envolve várias fases: a iniciativa para começar, as tentativas, lidar com a frustração do erro, ser perseverante para tentar de novo, saber buscar ajuda, tentar e tentar quantas vezes forem necessárias até atingir o êxito e poder curtir a vitória!

 
A criança precisará de tempo para que possa fazer suas tentativas com calma, sem a pressão dos adultos. Então, incentive-a dando-lhe tempo suficiente para isso. Nunca deixe para pedir que faça alguma coisa a poucos minutos de sair de casa. Outro dia li um termo interessante, “mães desnecessárias”. Precisamos aos poucos ir nos tornando desnecessárias. É estranho ouvir isto e até dolorido (pelo menos pra mim). Mas sei que é o melhor que posso fazer pelos meus filhotes. 

Bom, vou dar à vocês agora pequenas dicas de como fazer com que seus filhos aprendam a viver no mundo e não debaixo das asas da mamãe. Em cima de um exemplo só, vou descrever a minha experiência em detalhes trazendo algumas dicas:


Comer sozinho – não vou te dizer que existe uma idade certa para uma criança aprender a comer sozinha, porque não existe. Cada criança tem o seu ritmo. Aqui em casa, por exemplo, a Raquel começou com 1 ano e 5 meses e o André com 1 ano e 3 meses. Quando eu percebi que eles já estavam tendo um pouco mais de controle sobre o movimento de pegar a comida e levar a boca, comecei a incentivá-los. Você tem que desencanar da sujeira, senão enlouquece! O cadeirão de alimentação é um ótimo investimento. A dica que dou é, coloque um babador, dê a colherzinha na mão do seu filho e deixe ele comer sozinho, do jeito dele. Não interfira! O máximo que você pode fazer, é de vez enquando acertar a colherzinha na mão dele. Nas primeiras vezes vai cair mais comida pra fora do que pra dentro da boca, mas é normal. Incentive-o batendo palmas e elogiando cada vez que acertar a boquinha. Uma idéia boa, é você colocar uma colherada de comida na boca dele entre uma tentativa e outra, mas com outra colher. Ah! E dê o exemplo! Não deixe ele comendo sozinho na mesa. Mesmo que ainda não for a hora de você fazer a refeição, coloque um pouquinho no seu prato e mostre ao seu bebê como é a maneira certa de se alimentarMuitas mamães desistem ou pela sujeira ou pela demora: “Ah, se eu for deixar ele comer sozinho vai levar muito tempo. Eu não tenho paciência!” Se você pensa assim, sinto muito, não tenho como te ajudar. Mas vá se preparando, pois é bem provável que seu filho leve um bocado de tempo para se animar e aprender a comer sozinho.

Agora, deixo com vocês algumas orientações em geral:

1 – Não faça pelo seu filho o que ele já é capaz de fazer sozinho. Mostre que confia nele! 

2 – Não tente consertar o que ele fez. Mostrar como se arruma a cama é uma coisa, agora ajeitar a cama que ele acabou de arrumar é outra bem diferente. É como se você estivesse dizendo: “Você não é capaz de fazer isto sozinho, precisa de ajuda”. Minha amiga, isso causa um estrago que você nem imagina. Se você não aguenta ver o lençol torto, espere ele ir pra escola e depois arrume.

3 – Incentive-o com atitudes e palavras. Mostre que você sabe que ele é capaz! Isso serve tanto para um bebê que está começando a andar, quanto para uma criança que está aprendendo a escrever ou amarrar o tênis.

4 – Não crie seu filho dentro de uma bolha. Se ele cair, espere que se levante sozinho, a não ser em casos graves, é claro. Se ele se machucar, não se desespere. Lave com água e sabão e diga que está pronto pra outra.

5 – Elogio surte muito mais efeito do que crítica, sempre! Se ele dobrou e guardou a roupa toda torta e amassada no armário, ao invés de dizer: “Nossa, mas tá tudo amassado, não é assim!”, diga: “Filho, parabéns! Você se esforçou e eu estou muito orgulhosa de você!” E resista a tentação de dobrar a roupa do jeito certo.

6 – Dê o exemplo. Isso serve para qualquer área da educação! Quer um filho que arrume a bagunça do quarto? Mantenha suas coisas em ordem.

7 – Saiba o momento certo de se intrometer, mas sempre com muito respeito e educação. Minha mais velha, por exemplo, não nos deixa escolher as roupas e sapatos que ela vai vestir, mas não é por isso que vou deixá-la ir ao parquinho com roupa de festa. Neste caso, a autoridade deve prevalecer. Uma saída que encontrei, foi colocar na cama diversas opções de roupas, aí sim ela pode escolher sem a minha interferência.

8 – Com um ano e meio de idade, a criança já pode começar a participar de pequenas tarefas como, por exemplo, guardar seus calçados no local (desde que este seja de fácil acesso). 

9 – Por volta dos dois anos, a criança já demonstra interesse em tirar a roupa sozinha. É o primeiro passo para que, em seguida, possa vestir-se também. Vá ensinando ao seu pequeno que a costura deve ficar por dentro e que a etiqueta geralmente fica atrás. Ele aprenderá com a repetição.

10 – Aos três anos já é capaz de guardar e organizar seus brinquedos.

11 – Na cozinha, a criança já pode começar a participar de algumas tarefas simples, como ajudar a colocar a mesa. Muito cuidado para não impor as formas de organização. Deixe que a criança crie seu próprio raciocínio e criatividade e vá apenas orientando-a quando necessário.

12 – Com cinco ou seis anos, já pode ajudar a lavar a louça (exceto objetos que causam acidentes). Ela desenvolverá um domínio motor mais refinado, pois deverá lidar com o peso do objeto e o fato de estar escorregadio pelo sabão.

13 – Na hora do banho, oriente e deixe que ela faça sozinha. No ínicio, você terá que ficar de olho, principalmente na higienização das áreas íntimas. O mesmo acontecerá para escovar os dentes. Ela vai precisar aprender a quantidade de creme que deve ser colocado na escova, os movimentos e a força adequada para a escovação.

14 – Estimule seu filho a ter opinião própria. Uma dica: em vez de perguntar “Como foi a escola hoje?”, pergunte “Qual foi a coisa mais legal da escola hoje?”. Sempre responda quando ele perguntar por quê e explique usando termos simples. Façam as refeições juntos. Ouça sempre que a criança quiser participar da conversa. Nunca caçoe de suas opiniões. O melhor jeito de discordar é dizendo: “É uma opinião/idéia boa/interessante, mas…”. 

15 – Cuidado para não colocar responsabilidades demais sobre os ombros do seu filho. Precisamos estar atentos, lembrando sempre que criança não tem que assumir responsabilidades de adulto. Ela pode até ajudar e aprender a cuidar das suas coisas, mas não deve ter a obrigação de fazer faxina ou cozinhar, por exemplo. Use sempre o bom senso.

Hábitos de independência que se criam desde cedo ajudarão a criança a tornar-se um adolescente e, posteriormente um adulto, muito mais responsável, bem resolvido, organizado e com grande iniciativa. Trabalhar a autonomia da criança ajudará na sua auto-estima. 

A fase de tentativas, erros e acertos é um momento importante onde os pais deverão estar atentos, dando força e incentivo para que ela seja perseverante (outro comportamento extremamente importante que ela levará por toda a vida!) e não desanime diante das dificuldades!


Fontes de Pesquisa: Cláudia Fernanda Venelli Razuk – Coordenadora Pedagógica e Baby Center


Share.

About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora