EDUCANDO E ENTENDENDO MENINOS

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Tenho um menino e uma menina em casa e é nítida e inegável a diferença entre os dois. Raquel sempre doida por bonecas, animaizinhos, enfeitinhos… Ama brincar de casinha, escolinha, lojinha… Já o André, mesmo tendo nascido num lar cercado por brinquedos “ditos de menina”, sempre optou pela aventura, luta, espada, heróis. Sempre os deixei livres para brincar, imaginar e criar. Fujo dos esteriótipos, rótulos e extremismos. Não sou feminista ou machista, apenas a favor do ser humano. Ponto. Mas diante dos meus dois pequenos, é difícil dizer que não existe algo já pré estabelecido durante a concepção e gestação que terá grande influência nas escolhas de nossos filhotes. Sempre deixei o André brincar de boneca e sempre deixei a Raquel curtir os carrinhos, na verdade, nunca nem citei a possibilidade de que isso poderia não ser algo aceitável. Mas vejo que existe um imã invisível que os atrae para um lado que a sociedade rotula como “coisas de menino” e “coisas de menina” e, lendo o livro “Educando Meninos” pude entender um pouco como funciona o organismo do homem durante sua formação, e isso me trouxe muito esclarecimento e sanou uma série de dúvidas. Compartilho com vocês um trecho importante e que certamente ajudará na caminhada com o seu pequeno aventureiro. Vale a pena a leitura!

“Criar meninos é como viver diariamente com um tornado dentro de casa”, disse uma mãe. O filósofo grego Platão não discorda desta teoria: “Dentre todos os animais, os meninos são os mais indóceis!” Um dos aspectos mais amedrontadores na educação de meninos, é a sua tendência em arriscar a vida sem qualquer motivo, e isso começa muito cedo! Uma mãe de menino precisa vigiá-lo a cada minuto para impedir que se mate. Quando cresce um pouco mais, fica atraído por tudo quanto é perigo. É de se admirar que alguns deles sobreviva. A psicóloga canadense Bárbara Morrongiello estudou as maneiras diferentes como os meninos e meninas pensam sobre o comportamento de risco. As mulheres tendem a pensar muito mais na possibilidade de se machucarem, os meninos, porém, vão aproveitar a oportunidade se acharem que o perigo compensa o risco. As meninas tem mais medo que os meninos. Elas reagem negativamente à dor e tentam não cometer duas vezes o mesmo erro. Os meninos, por outro lado, são mais lentos em aprender com as calamidades. Eles tendem a pensar que seus ferimentos foram causados por má sorte.

Mas o que faz os meninos agirem desse jeito? O que os leva a tentarem as leis da gravidade e ignorarem a voz suave do bom senso, aquela que diz: “Não faça isso meu filho”?  Os meninos são assim por causa de sua estrutura neurológica e da influência dos hormônios que estimulam certos comportamentos negativos. Depois de intensas pesquisas, descobriu-se que os cérebros de homens e mulheres são diferentes, aliás, muito diferentes! Sob estímulos apropriados, perceberam que os cérebros masculinos “acendiam” em áreas diferentes, então ficou claro que o cérebro de cada sexo é ligado de um modo, o que, juntamente com os fatores hormonais, justifica as atitudes comportamentais associadas com a masculinidade e feminilidade.

O feto, depois da sexta ou sétima semana de concepção, toma um “banho” de testosterona, um hormônio em grande parte responsável pela virilidade. É neste momento que o cérebro masculino começa a enfraquecer suas ligações entre os dois hemisférios. Isso explica muitos comportamentos masculinos que costumam irritar as mulheres, como a dificuldade em expressar seus sentimentos ou a capacidade de se desligar completamente do mundo exterior quando está concentrado em uma tarefa. Por isso, não critique seu filho ou marido, foi assim que Deus os fez.

Outra inundação de testosterona ocorrerá no início da puberdade, e ela será responsável em transformar o seu rapazinho em um homem.
Nesta fase surgem os pelos faciais e púbicos, voz esganiçada, espinhas no rosto, músculos maiores e, dentre outras coisas, o despertar sexual. A maioria dos especialistas acredita que a tendência dos meninos em correr riscos, ser mais afirmativos, brigar, competir, discutir, vangloriar-se e brilhar em certas habilidades, está diretamente ligada a maneira como o cérebro é formado e a presença da testosterona. A testosterona também explica o desejo precoce dos meninos de serem o mais forte, o mais valente, o melhor atirador do grupo.

Existem outros fatores que explicam alguns comportamentos masculinos, como a presença da serotonina, um hormônio  que ajuda o indivíduo a controlar seu comportamento impulsivo. E adivinhem? As mulheres possuem tipicamente mais dela do que os homens. Fora isso, temos também a amígdala, uma pequena parte do cérebro do tamanho de uma amêndoa, que funciona como um poderoso “computador emocional”. Quando uma ameaça física ou emocional é percebida pelos sentidos, a amígdala imediatamente ordena às glândulas adrenalinas e outros órgãos defensivos que entrem em ação. E lá vamos nós outra vez: a amígdala é maior nos homens do que nas mulheres, o que ajuda a explicar por que os meninos têm mais probabilidade que as meninas de serem explosivos e se envolverem em comportamentos de risco mortal.

Podemos perceber que cada sexo tem um propósito único no grande esquema das coisas. Quando homem e mulher se juntam no casamento e se tornam uma só carne, eles complementam e suplementam um ao outro.  As mulheres receberam o privilégio e a bênção de conceber filhos, por isso se inclinam para a previsibilidade, estabilidade, segurança, cautela e firmeza. O temperamento feminino se presta a nutrir e cuidar, a sensibilidade, ternura e compaixão. Sem a doçura e feminilidade, o mundo seria um lugar mais frio, legalista e militarizado. Os homens, por outro lado – e em sua grande maioria, dão valor à mudança, oportunidade, risco, especulação e aventura. Foram destinados a prover fisicamente para suas famílias e protegê-las de danos e perigos. Em geral, podemos classificar os homens como o acelerador e as mulheres o freio.

Voltando aos nossos menininhos, não podemos nos esquecer que eles são homens em treinamento. Sua natureza agressiva tem um propósito. Ela os prepara para os papéis de provisão e proteção que futuramente irão desempenhar. Esse temperamento faz parte do plano divino, isso não é magnífico? Mas precisamos compreender que este temperamento precisa ser moldado, formado e “civilizado”. A cultura está em guerra com a família. Mensagens nocivas e sedutoras são gritadas para eles através de filmes, desenhos, músicas, jogos e internet e, através desses meios, aprendem que bater e matar é a maneira certa de reagir quando insultados e frustrados. Nas últimas 4 décadas, os índices de suicídio e homicídio aumentaram em 500%! Quatro organizações nacionais muito reconhecidas associaram a violência na televisão, videogame, filmes e músicas ao crescimento da violência entre crianças e, em consequência, na sociedade em geral. Concluíram também que assistir muito tempo à violência na mídia pode levar a dessensibilização emocional no que diz respeito a vida real.

Uma declaração mais forte, emitida pela Academia Americana de Pediatria diz que crianças com menos de 2 anos não devem assistir a TV porque pode interferir no crescimento sadio do cérebro. Os médicos advertiram que o fato de as crianças assistirem a TV pode levar ao comportamento violento, obesidade, apatia, baixa do metabolismo, diminuição da imaginação, prisão de ventre e até a morte. O estudo também afirmou que a criança comum fica sujeita a 14.000 referências sexuais na TV por ano e exposta a 52 bilhões de anúncios de bebidas em outras mídias anualmente. 

Agora eu pergunto: Se pudesse evitar, você permitiria que seu filho se machucasse fisicamente? Creio que sua resposta, assim como a minha, seria afirmativa. Por que então ficamos imóveis e permitimos que o espírito dos nossos filhos sejam pervertidos e deformados? Quando ensinamos às crianças bondade e respeito por outros, insistindo em civilidade em nossas salas de aulas e lares, estamos colocando fundamento para bondade humana no mundo dos adultos que virão!

“Mas como podemos afastar nossos filhos das muitas influências negativas que os cercam de todos os lados?” Precisamos jogar na defesa, protegendo nossos filhos das seduções imorais e perigosas, mas também jogar no ataque, aproveitando os anos impressionáveis da infância, investindo todos os nossos esforços na formação do seu caráter. Nossa tarefa em duas breves décadas, será transformar esses garotinhos volúveis e imaturos, em homens honestos, atenciosos, que irão respeitar as mulheres, ser leais e fiéis no casamento, cumpridores dos deveres, líderes fortes e decididos, bons trabalhadores e seguros em sua masculinidade. Busque apagar neles a percepção de que a maioria dos homens adultos são predadores sexuais, violentos, sem consideração pelas mulheres e consumidores desenfreados de álcool.

Como criar meninos sadios neste mundo caótico? “Sendo razoável, inteligente e completamente alerta. Reduzindo a exposição dos meninos à violência, estando em casa quando voltam da escola, ajudando-os na lição de casa, acompanhando de perto o que fazem, o que assistem e com quem estão durante o dia, perguntando com real interesse como foi o seu dia, deixando que chorem se necessário, dando apoio quando estão tristes, ajudando-os a ver as opções, recompensando o bom comportamento, aplicando consequências firmes e significativas ao comportamento inaceitável, fazendo exigências razoáveis, expressando expectativas morais, falando com os professores constantemente e abraçando esses rapazinhos sempre que puder. Não peça a eles que sejam homens quando não passam de meninos, mas mostre como podem ser homens de verdade demostrando aquilo que nós, como sociedade, parecemos ter perdido: o autocontrole!

Não transfira esta grande responsabilidade para uma escola, babá ou avós, pois o tesouro é SEU. Deus o entregou em SUAS mãos, faço-o prosperar, investindo o seu tempo e sua vida. Sua tarefa, em conjunto com seu cônjuge, é construir um grande homem com as matérias-primas disponíveis nesse menino encantador, pedra após pedra. Não suponha nem por um momento que você pode fazer o que quiser da sua vida sem pensar nas sérias consequências. Creio que esta tarefa deve ser sua prioridade máxima durante certo tempo. Ela não vai durar para sempre. Antes que perceba, essa criança a seus pés irá tornar-se um jovem que fará as malas e dará seus primeiros passos vacilantes para entrar no mundo adulto. Criar os filhos que nos foram emprestados por um breve momento supera qualquer outra responsabilidade. Além disso, viver de acordo com essa prioridade quando os filhos são pequenos irá produzir as maiores recompensas na maturidade.

Jamais foi ouvido num leito de morte: “Gostaria de ter passado mais tempo no escritório”, muito pelo contrário. Equilibrem sabiamente sua vida profissional e sua vida familiar. Deus só permite um determinado número de oportunidades com nossos filhos para ler uma história, sair para pescar, jogar bola, brincar, rir e orar juntos. Tentem não perder nenhuma delas! Esses anos com seus filhos em casa desaparecerão num segundo. Faça tudo o que for necessário para agarrar esses momentos preciosos, quer exijam mudança de emprego, morar numa casa menor ou desistir de oportunidades lucrativas e fascinantes. Nada vale a perda de seus filhos. Nada!

“Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” Mateus 6:19-21

“Educa a criança no caminho que deve andar, e ainda quando for velho, não se desviará dele.” Pv 22:6

Texto relacionado: “Meu filho vai ser macho!”

*Texto extraído do livro Educando Meninos, de James Dobson, adaptado e comentado por Dani Marques.

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora