PEDOFILIA VIRTUAL: SAIBA COMO EVITAR!

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“Por favor mãe! Está todo mundo lá”. Mariane escutou essa frase durante meses. O que Katrina, sua filha caçula, mais queria no mundo, era entrar para o Haboo.com, maior hotel e sala de jogo virtual do mundo para adolescentes. Isso mudaria sua vida, dizia a menina, pois poderia conhecer gente do país inteiro. “Mas você só tem 11 anos!”, era a resposta padronizada de Mariane. “Eu vou ser responsável, juro!” Implorava a filha. Depois de muita insistência, cedeu, desde que obedecesse a certas regras: não informar telefone, e-mail e muito menos o endereço de onde moravam. O que poderia dar errado? 

O primeiro sintoma do problema surgiu num sábado, em fevereiro de 2010, quando Katrina foi a uma festa de aniversário sem o celular que a mãe lhe dera na semana anterior. Um torpedo chegou: “Esteja lá em 15 minutos. Amo você!” A mãe preocupada, viu que havia cerca de 70 mansagens, todas de alguém chamado “Eric”. Muitas eram inadequadas, até com teor sexual. Ela ligou para o número de “Eric”. Só que não havia nenhum “Eric” do outro lado da linha, apenas a secretária eletrônica de Andreas, com voz de homem feito. A mãe se desesperou, avisou o marido e correu para o laptop da filha. Nele estava o pior pesadelo dos pais: uma série de mensagens de Andreas para Katrina, inclusive uma que mencionava terem feito amor na semana anterior e o que ele faria com ela na próxima vez. 

Era sobre a filha dela que ele falava, sua “bebezinha” que ainda nem usava sutiã! Ela se perguntava: “O que fizemos de errado? Seria porque Hans e eu trabalhamos período integral?” Eles tinham ensinado a sua filha e aos irmãos o perigo de se falar com estranhos! Procuraram Katrina por todos os lugares possíveis, e depois de algumas horas, ela retornou. Katrina tentou negar tudo. Disse que “Eric” era um amigo do Haboo e Andreas um amigo deles mais velho. “E esses e-mails?” perguntou a mãe. “Vamos a polícia!”

Aos poucos a história se revelou. A princípio, Katrina achava que “Eric” tinha 12 anos, depois 14 e depois 18. Ele alugara para ela um quarto de hotel no Haboo.com com seu cartão de crédito. Tinham ido morar juntos. Ela o chamava de namorado e ele a chamava de “princesa”. Quando “Eric” sugeriu que saíssem do ninho de amor virtual e fossem para um de verdade, a coisa pareceu muito natural. Sua idade real não importava mais (28 anos). Ele foi buscá-la na escola e a levou a um restaurante de luxo antes de de irem a um hotel real, com cama e chuveiro reais. Com ele, Katrina se sentia linda e adulta e ninguém da família suspeitara de nada,
porque ela chegava em casa antes dos seus pais retornarem do trabalho e se eles ligavam no celular, dizia que estava na casa de uma amiga fazendo trabalho. “Eu o amo”, declarou ela. O laptop de Katrina ficou retido na delegacia para investigação.

Infelizmente a história de Katrina não é a única. Em todo o mundo há milhares de casos de crianças e adolescentes iludidas por uma falsa sensação de segurança quando se aventuram pela internet. Elas são abordadas em redes sociais ou em jogos on-line. São crianças seduzidas por um elogio e que não acharam que algo de ruim poderia lhes acontecer quando fossem encontrar o “novo amigo” na vida real.

Um agravante é a falta de estatísticas para determinar qual a melhor forma de acabar com o problema. Em parte, isso se deve ao baixíssimo número de predadores já condenados. Mas como patrulhar um mundo no qual 49% dos jovens entre 9 e 16 anos usam a internet no quarto, onde é difícil os pais monitorarem? E no qual 59% têm perfil próprio nas redes sociais, sendo que mais de um quarto deles pode ser visualizado pelo público em geral?

A polícia vem fazendo progresso no caso de alguns crimes contra crianças na internet, como a produção e a transmissão de imagens pornográficas. O banco de dados da Interpol, que pode ser acessado diretamente por investigadores autorizados em 25 países, já resgatou mais 2.100 crianças no mundo inteiro. Mas no caso da sedução on-line, cada país cuida do problema por conta própria. A maior parte dos países acaba processando os sedutores da internet só depois de ocorrido o crime.

Como os sedutores da internet agem?
Eles são manipuladores e meticulosos. São capazes de se transformar naquilo que as vítimas precisam: um bom amigo, confidente, alguém com simpatia contagiante ou um pai presente e benevolente. No Reino Unido, um homem de 36 anos, casado e pai de família, seduziu uma menina de 13 anos, assim que percebeu que ela procurava por uma figura paterna. Os sedutores tentam entender o que atrai a vítima, o que elas mais necessitam, para assim conseguirem uma recompensa sexual. As pesquisas mostram que os sedutores em geral tem o QI mais alto do que a média e alto nível de conhecimento de informática. Muitos usam de 200 a 300 nomes ao mesmo tempo redes sociais. Encontram vítimas principalmente em meninas no início da adolescência, muitas com histórico familiar complicado.

O que os pais podem fazer:
– Instalem um programa de acesso à internet que filtre automaticamente os sites que seus filhos visitam, como Net Nanny, CyberPatrol e The Family Browser.
– Visitem os sites safernet.org.br ou criancamaissegura.com.br, que ensinam crianças e jovens a cuidar da segurança na internet. Também têm conselhos úteis para os pais.
– Converse com seus filhos abertamente. Esteja presente. Diga-lhes que devem contar à você se houver qualquer desconfiança, como uma conversa que os deixem constrangidos ou uma ameaça. Certifique-se de que eles devem pedir permissão antes de passar qualquer informação pessoal.
– Explique que muita gente mente na internet. Dê exemplos.
– Peça a seus filhos que lhes ensinem os programas de computador que eles usam e você não conhece.
– Mantenha aberto todos os canais de comunicação. No fim das contas, a melhor defesa é a conscientização de seu filho a respeito dos riscos e a capacidade de identificá-los.

Segundo Wanderson Castilho, especialista em crimes digitais, o acesso livre a internet não é pra crianças e pré-adolescentes. Do mesmo modo que eles ainda não podem ir à barzinhos a noite. Os pais precisam estabelecer horários e regras sobre o que se pode ou não fazer na internet, e instalar softwares de monitoramento e bloqueio de sites inadequados.

Não faça como os pais de Katrina, que tiveram que aprender do modo mais difícil. Mais de um ano depois do incidente, a família ainda não se recuperou. Agora, com 12 anos, Katrina passa por orientação psicológica, ainda apaixonada pelo sedutor e zangada com os pais por forçarem o fim do relacionamento e irem a polícia. Andreas foi condenado a 2 anos de prisão e 6 meses de liberdade condicional. Para os pais da meninas, isso é pouco, muito pouco. A menina ainda não dorme a noite toda e costuma ter pesadelos. Ao mesmo tempo, os pais tem que aprender a lidar com a culpa. Antes eram uma família normal, agora, estão ansiosos e preocupados com o que vem pela frente. Sentem medo toda a vez que um dos filhos sai sozinho de casa e passaram a temer a internet. Sabem que precisam encontrar um equilíbrio entre a responsabilidade de pais e a superproteção, mas é difícil. Tiraram o computador de Katrina. Mariane deixa um conselhos: “a gente acha que nunca vai acontecer na nossa família e, de repente, lá estamos nós, tentando catar os caquinhos.”

Faça a sua parte e confie que Deus fará a dele: “O anjo do Senhor é sentinela ao redor daqueles que o temem, e os livra”. Salmo 34:7

*Trecho extraído de uma reportagem da revista Seleções, adaptado e comentado por Dani Marques

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs ‘Salve Meu Casamento’ e ‘Educando na Contramão’. Idealizadora do Projeto Infantil ‘O Coração Vermelho’, que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora