PINTO, PERERECA E CAMISINHA! O que você disse filha?

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Uma frase que falo com frequência aos meus filhos é: “Prefiro escutar uma verdade feia do que uma mentira bonita”. Falo isso quase que semanalmente. E hoje, pela primeira vez, experimentei a angústia de escutar da boca da minha filha uma verdade bem feia e dolorida. Todas as vezes que as crianças me contam uma verdade, por mais feia que seja, procuro reagir de forma amorosa e receptiva, e eles sempre recebem uma recompensa: um adesivo, um abraço apertado, um beijo… Isso mantém o canal de comunicação aberto entre nós. Deixo bem claro que o papai e a mamãe sempre serão seus melhores amigos e que sempre encontrarão refúgio e segurança em nosso lar. 

Sim, foi muito difícil ter que escutar uma “verdade feia” dos lábios da minha filha de sete anos, mas agradeci a Deus por ela ter acreditado nesse refúgio de amor.Estávamos almoçando juntos e como sempre faço, perguntei às crianças: “E aí, como foi na escola hoje? Me contem uma coisa boa e uma coisa não tão boa…” A Raquel mais que depressa respondeu: “Mamãe, hoje a amiguinha “x” me falou uma coisa engraçada. Ela pediu para eu digitar na internet: pinto, perereca e camisinha. Aí ela disse que aparece um vídeo de uma bexiga assim retinha e depois tem que chupar a bexiga”.



Meu coração subiu até o cérebro e voltou. Olhei discretamente para meu esposo, esbocei um sorriso forçado e disse com um ar de muita naturalidade: “É meeeeeesmo filha! Nossa, que diferente! E o que mais ela disse?” (eu precisava que o canal de comunicação permanecesse aberto, e uma cara feia ou palavra ríspida poderia colocar tudo a perder). Ela continuou: “Minha amiga disse pra eu ficar calada e não contar pra ninguém. Disse que a mamãe dela viu ela vendo esse vídeo, brigou muito e até hoje não deixa mais ela mexer no computador”. Pronto, o relato terminou aí. Graças a Deus minha filha ainda é muito inocente. Ela não entendeu o que este vídeo significava realmente. Eu continuei a conversa: “Nossa, filha, é estranho mesmo… chupar uma bexiga não deve ser muito legal.” E meu esposo completou: “E se a mamãe dela brigou e ela pediu para você não contar pra ninguém, é porque não deve ser uma coisa muito boa, você não acha?” Ela concordou.


Em seguida parei tudo o que estava fazendo, pedi a ela um abraço muito apertado e meu marido fez a mesma coisa. Dissemos a ela: “Filha, estamos muito orgulhosos de você. Você fez exatamente o que nós te ensinamos. A mamãe e o papai serão sempre seus melhores amigos e sempre que alguém fizer ou falar alguma coisa estranha e pedir para você não nos contar, lembre-se que aqui em casa você sempre poderá falar a verdade. E como você agiu corretamente, vamos pensar em uma recompensa muito boa pra você”. A conversa se encerrou aí. É claro que vou a escola conversar com professores e coordenadores, e tentar resolver a situação da forma mais amorosa e discreta possível. Mas enquanto isso não acontece, fiquei aqui pensado com meus botões.


Ouço muitas pessoas dizendo que confiam em Deus, que tem fé em Jesus, mas abrem a Bíblia uma vez ao ano (e olhe lá). E eu me pergunto: como confiar e crer em alguém que você mal conhece? Isso é no mínimo contraditório. A Bíblia, especialmente o Novo Testamento, nos foi entregue para conhecermos e nos aproximarmos desse Deus que tanto falamos e escutamos falar. Jesus foi a materialização desse Deus. Foi como se Deus nos dissesse: “Se eu fosse humano seria assim. Jesus é o humano perfeito, nossa referência. Nele encontraremos todo o ensinamento necessário para viver a perfeita vontade de Deus neste mundo”. E há algo muito importante que aprendi lendo a Bíblia:


“Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas”. Filipenses 4:8

A internet, a televisão, a música e a mídia em geral estão em luta acirrada contra a família. Novelinhas direcionadas à crianças e pré-adolescentes que estimulam o namoro, o beijo, a mentira, desobediência aos pais, a sensualidade e vestimentas indiscretas. As novelas que transbordam maldade, adultério, sensualidade, venda do corpo, facção, inimizades, contendas, ira… Músicas com letras de baixíssimo nível, sem conteúdo algum, fazendo com que crianças de 3 ou 4 anos dancem e rebolem de forma sensual, repletas de movimentos que remetem ao ato sexual. Bonecas, brinquedos e jogos que estimulam a violência, o sexo descomprometido, a destruição e exposição do corpo, a sensualidade…


Se você não acredita em Deus e não está nem aí para o que ele pensa, ótimo. Nem se dê ao trabalho de continuar lendo esse texto. Agora, se você costuma dizer que tem fé em Deus, gostaria de te exortar em amor. Nós, pais, temos total responsabilidade sobre o que nossos filhos assistem e escutam. Crianças não tem discernimento algum para selecionar programas de televisão, internet, jogos de vídeo game e inclusive desenhos. Se você não se colocar em posição de “filtro”, lixo é que vai entrar na cabeça de seu filho, através dos olhos e ouvidos. E quem se alimenta de lixo, defeca lixo. Encha sua cabeça de sensualidade e seu corpo transbordará sensualidade. Exponha seu filho a violência visual e em pouco tempo ele não vai se sensibilizar a mortes violentas. Deixe sua filha dançar e escutar músicas com letras deprimentes, que muito em breve ela estará colocando em prática tudo o que foi absorvido inconscientemente pelo seu cérebro. Vista sua filha como uma periguete, mostrando pernas e barriga, que na adolescência e fase adulta ela vai se portar como tal, pois a mamãe ensinou que é “bonitinho” se vestir dessa maneira. E não precisa ser mestre ou doutora em psicologia infantil para saber disso. Deus nos ensina através de sua Palavra, e ela é muito clara.


Uma criança e um pré-adolescente jamais deveria ter livre acesso a internet. E na fase da adolescência, o computador deveria ficar num local onde todos podem ver, como na sala de casa, por exemplo. A televisão a mesma coisa. Crianças com livre acesso a smartphone, tablet, celular, tv e sem a supervisão de responsáveis, é como se seus próprios pais o jogassem dentro de uma piscina de lixo e dissessem: “Não se sujem hein?”


Enquanto nossos filhos estiverem sob nossa responsabilidade, seremos o filtro para tudo o que assistem, escutam e brincam. E quando algo nos escapar – o que inevitavelmente vai acontecer – estaremos aqui, com o canal aberto no nosso refúgio de amor, prontos a direcioná-los a Luz da Palavra. Meus filhos só terão acesso a novelinhas ditas “de criança”, novelas de adulto, internet sem supervisão, músicas sem conteúdo ou a jogos de violência, quando tiverem seu caráter completamente formado e prontos para entender que com 12/13 anos criança nenhuma tem maturidade para namorar, que se você se veste e se porta como uma vadia vai atrair cafajestes (e vice-versa) e que bater, machucar ou retribuir na mesma moeda não é normal e tampouco aceitável. 

Antes que tenham acesso a novelas da Globo, Record e SBT, preciso ensiná-los que se relacionar com 2 ou 3 mulheres ao mesmo tempo é adultério e traz consequências desastrosas para a vida, que a mentira deixa o problema para o futuro a verdade deixa o problema no passado, que ciúmes, discórdia, ira, facção e inveja são frutos da carne e não de alguém que está cheio do Espírito de Deus, que o nosso corpo é morada de Deus e deve ser tratado como tal, que pedófilos estão entrando nos quartos dos filhos enquanto pais assistem seus programas na sala… E isso leva tempo!
 
Desculpem, mas aqui está um desabafo de uma mãe indignada e que enquanto viver, vai remar contra a maré, tendo Cristo como referência, bússola e comandante na tempestade da vida. Podem me chamar de careta, bitolada ou super protetora, eu não ligo. Deus me deu a grande responsabilidade de cuidar de dois bens preciosíssimo: duas vidas! Vou fazer o meu melhor, e Cristo me ensinou que tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, é o que deve inundar a mente dos meus filhos, é esse filtro que vou usar, na TV, na internet, nos livros, nas músicas e em tudo o mais que tiver ao meu alcance.


Sei que muito em breve eles começarão a voar para fora do ninho e quando isso acontecer, quero que estejam preparados. Que sejam homens e mulheres de caráter, fazendo o bem e expressando Cristo no seu falar, no seu olhar e agir. É um investimento que estou fazendo para o bem da humanidade. Sei que é muito pouco, mas se todas as famílias se unissem nesse propósito, não teríamos que nos desgastar tanto neste papel de “filtro”.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós, pais. Que Ele nos fortaleça e oriente, dia após dia. Essa é minha oração.

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora