40 DICAS PARA O SEU FILHO APRENDER A COMER BEM!

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É possível sim ensinar a criança ter prazer em comer verduras, frutas e legumes. Todos os seres humanos estão predispostos a uma alimentação saudável. Tenho dois filhos, uma menina de 8 e um menino de 4 anos. Segui à risca os conselhos abaixo desde que os dois eram bebês, e hoje, comem praticamente de tudo, e com prazer! É preciso muita paciência, persistência e investimento de tempo, mas vale a pena. O hábito alimentar de um ser humano é formado na primeira infância, portanto, a hora de agir é agora!

A vida corrida, agitada e a falta de tempo cada vez mais empurram nossas famílias para o que é mais prático e rápido. Poucos investem tempo no preparo dos alimentos e durante as refeições. As mães cansadas cedem com facilidade as manhas de seus filhos. É por isso que o número de crianças com mau hábito alimentar, obesas e com problemas de saúde aumentam a cada dia que passa. A hora da refeição deve ser prazerosa e a criança deve aprender sobre os benefícios de cada alimento para seu organismo. É dever de todo pai e mãe ensinar isso à eles.

Aqui estão todas as informações necessárias para fazer seu filho aprender a comer bem. Lembre-se: não existem crianças que gostam de verduras e legumes e outras que não gostam. Isso é mito! O que existe são pais e mães que investem ou não na educação alimentar de seus filhos. Portanto, mãos à obra!

1 – Misturar alimentos não é bater tudo junto em uma pasta sem cor específica e nem gosto definido. É importante deixar a criança entrar em contato com sabores variados e aprender a diferenciá-los. Mesmo em uma sopa feita com vários legumes, escolha a cada vez um que será predominante, na cor e no sabor: cenoura, beterraba, mandioquinha etc.

2 – Nas sopas de legumes, o melhor é amassar os ingredientes com o garfo, sem passar pelo liquidificador ou pela peneira, para conservar as fibras dos alimentos. Um ótimo estímulo para mastigação!

3 – Acrescente legumes cortados ou ralados no omelete ou no recheio de panquecas. Eles também podem entrar em croquetes, almôndegas e hambúrgueres caseiros.

4 – Incremente a massa da panqueca com espinafre: bata no liquidificador 4 ovos, 500 ml de leite, 1 colher (sopa) de manteiga derretida e 1/3 de maço de espinafre cozido, espremido e picado; junte 200 g de farinha de trigo, bata até ficar homogêneo e frite em frigideira antiaderente. Não esconda da criança que a panqueca é de espinafre, ela tem o direito de saber. Afinal, é um grande benefício!

5 – Yakissoba, macarrão japonês feito com legumes e carnes, é um ótimo exemplo de mistura saudável e completa que a maioria das crianças gosta de comer. Você pode comprar pronto ou fazer uma versão em casa (use os legumes que tiver à mão, massa longa. Controle bem a quantidade de shoyu e não use sal).

6 – Inclua nas refeições comidas que a criança pode pegar com as mãos: cenoura baby, tomate-cereja, espiga de milho, hortaliças cortadas em palito, brócolis, couve-flor, erva-doce, pepino… Faça um molhinho de yogurte com ervas pra ela molhar os legumes. Fica uma delícia!

7 – Coloque os alimentos que compõem a refeição separadamente no prato. A criança deve sentir cores e texturas diferentes. Deixe a criança se servir sozinha e provar cada uma das diferentes porções. A partir de 1 ano já é possível estimulá-lo a comer sozinho.

8 – Não cozinhe demais os legumes. Quando estão crocantes, além de serem mais interessantes visualmente, porque mantêm a forma e as cores ficam mais vivas, eles são também muito mais saborosos e nutritivos.

9 – Para deixar a salada mais atraente, espalhe sobre as folhas croutons, ovo cozido picado, kani desfiado ou pedaços de frutas amarelas e vermelhas (para contrastar com o verde), como manga ou morango.

10 – Faça desenhos em cima do purê de batata. Nada complicado: pode ser um círculo ou uma espiral com ervilhas frescas ou congeladas. Não use as enlatadas.

11 – Outra ideia é espetar flores de brócolis japonês cozidas al dente sobre o purê. Fica mais gostoso quando é a própria criança quem faz a decoração de seu prato.

12 – Cremes ou patês de vegetais servidos sobre torradas; Frutas e legumes no espetinho também são maneiras simples de valorizar o visual da comida.

13 –  Varie sempre no preparo de cada alimento: um dia sirva cru, outro em forma de bolinhos, ou refogado, cortado em rodelas, ralado, empanado, etc.

14 – Brincar com a apresentação do prato não significa esconder algum tipo de alimento. Nunca esconda alimentos! Chuchu é chuchu, tomate é tomate, couve é couve… Esconder um alimento é dizer a criança que ele é ruim. Deixe visível, mesmo que ela não coma. Na próxima, tente novamente!

15 – Comer é um processo instintivo. O organismo regula a quantidade de energia que precisa por dia; se a criança não comer nada no almoço, por exemplo, ela acabará compensando nas outras refeições. Portanto, respire fundo e e espere até seu filho ter fome. Salgadinhos e doces nos intervalos? Nem pensar. Se ele tiver fome, ofereça uma fruta ou cereal.

16 – Nenhum alimento é insubstituível. Seu filho não come cenoura? Ofereça abóbora, mamão ou outros vegetais amarelos e alaranjados, e as fontes de vitamina A estão garantidas. E ele nem precisa comer esses alimentos todos os dias, porque o organismo estoca a vitamina A.

17 – A mesma ideia vale para qualquer grupo de nutrientes ou micronutrientes (vitaminas e sais minerais). O ideal é equilibrar todos os grupos em uma refeição, mas não se preocupe se seu filho passar mais de um dia sem comer algum tipo de nutriente. Espere por até uma semana e é provável que ele busque naturalmente alimentos que reponham sua necessidade.

18 – A partir dos 4 ou 5 anos, é normal a criança não querer tomar leite. Geneticamente, algumas populações (como as de origem mediterrânea e africana) têm mais dificuldade de digerir o leite (por causa da lactose), mas isso não ocorre com iogurte, queijos, etc. E estes últimos podem fornecer todo a cálcio e a vitamina D que a criança precisa.

19 – Comida não é remédio. Qualquer pessoa pode passar a vida inteira sem tocar um bife de fígado. As necessidades normais de ferro são supridas se a criança comer proteína animal, verduras escuras e frutas regularmente – as frutas fornecem vitaminas que ajudam na absorção de ferro.

20 – Tente não servir o mesmo cardápio dois dias seguidos. Se for reaproveitar os pratos, reinvente as combinações. Por exemplo: Sobrou frango? Então desfie e coloque no molho com legumes. Sobrou linguiça? Então pique e faça um mexido com ovos!

21 – Não “ajude” a criança a finalizar o prato. Cada um come aquilo que está no seu próprio prato, a quantidade que achar necessária.

22 – “Raspar” o prato não é uma coisa linda, obrigatória, nem necessariamente desejável. Não obrigue seu filho a isso!

23 – Não faça ameaças de nenhum tipo, como dizer para seu filho que, se ele não comer, ficará doente e terá de ir ao médico tomar injeção. Aliás, quando a criança está doente mesmo, não a obrigue a comer. Mantenha a tranquilidade e espere até ela sentir fome (isso é um sinal de que ela está se recuperando). Abuse dos líquidos!

24 – Premiar quem come tudo também não é uma boa prática. É comum os adultos sugerirem que a criança deve comer os legumes, por exemplo, para poder ter a sobremesa. Nenhuma parte da refeição é um prêmio, cada uma tem a sua função, porção e lugar. Dizer que a sobremesa é prêmio, da um ar de tortura à refeição: “Faça a parte ruim que depois terá a recompensa”. Isso é um dos maiores erros cometidos pelos pais!

25 – O lanche também tem sua função, mas na dose, hora e lugar certo. Não compense no lanche o pouco que seu filho comeu no almoço. O máximo que vai acontecer é ele ficar com mais fome até a hora do jantar e, na melhor hipótese, comerá bem. Se exagerar no lanche da tarde, ele provavelmente perderá o apetite no jantar. Se ele comeu mal no almoço, dê apenas um fruta e suco a tarde. Resista a tentação de oferecer pães e bolachas… Permita que ele aprenda com a realidade. No jantar ele vai estar morrendo de fome!

26 – Crianças de 5 ou 6 anos estão na fase de estímulos primários. Elas são atraídas por cores, formas, novidades. Nessa fase, os pais podem proporcionar novas experiências gastronômicas para seus filhos, apresentando os diferentes sabores dos alimentos.

27 – Na boca, somos capazes de sentir apenas quatro gostos: doce (na ponta da língua), salgado e ácido (nas laterais) e amargo (no fundo da boca). A criança que já mastiga pode e deve entrar em contato com todos esses tipos de gosto; dessa forma, poderá reconhecê-los e formar um repertório de sabores (que é a mistura das sensações gustativas com as olfativas). Quanto mais amplo for esse repertório, maior a chance de seu filho comer (quase) tudo.

28 – A tolerância para o gosto amargo é determinada geneticamente. Por isso, não tenha medo de oferecer à criança alimentos com um certo amargor, como rúcula, por exemplo. Se ela tiver predisposição, maravilha; se não, também está ótimo, não insista. O importante é ela conhecer o sabor, para descobrir se gosta ou não daquilo.

29 – O ambiente da refeição deve ser tranquilo, sem TV, música, e muito menos gritaria. Deixe as conversas sérias e broncas para depois. Todas as refeições (lanches inclusive) devem ser feitas à mesa, com a mamãe ou responsável comendo junto. Não dê a comida dele e coma depois. Tem que comer junto. Mostre que seu prato também tem ingredientes saudáveis e que você está curtindo muito esse momento!

30 – Sempre que possível, faça pelo menos uma das refeições principais com seus filhos. Isso fará toda a diferença no hábito alimentar e até no comportamento dele!

31 – A partir de dois anos crianças tendem a copiar comportamento dos adultos –elas seguem os hábitos alimentares da casa. Isso significa que, se os pais não comem frutas ou verduras, os filhos seguirão o exemplo e forçá-los a comer salada pode ser um trabalho inútil. Nesses casos, é preciso rever os hábitos de toda a família. Como vai dizer à ele que verdura é saudável sendo que você não come?

32 – Leve as crianças para a cozinha. Quando elas mesmas preparam os alimentos, certamente vão querer provar o que fizeram. É uma experiência lúdica, prazerosa, como deve ser a relação com a comida. Um tempo precioso!

33 – Ir à feira ou mercado com as crianças é um jeito divertido de apresentá-las ao mundo das frutas e verduras. E os feirantes têm técnicas infalíveis para fazer o filho do freguês provar as frutas que querem vender.

34 – Fazer o supermercado com a família toda é um pouco mais complicado, mas vale a pena também. Faça com a criança uma lista de compras antes de sair de casa e diga que vão comprar apenas o que está escrito ali. É uma forma de evitar consumo desnecessário. Permita que ela participe das escolhas de sabores, marcas, preços…

35 – Importante: sirva porções pequenas – até para dar oportunidade de a criança pedir mais, se quiser, porque gostou ou porque ainda está com fome. É muito frustrante nunca conseguir terminar o prato. Pra saber a quantidade certa, observe a mãozinha fechada de seu filho. Esse é o tamanho do estômago dele. Ao fazer o prato, utilize o bom senso!

36 – Se o seu filho diz que não gosta de um alimento que não conhece, proponha que ele prove um pedaço (tem de ser pequeno mesmo) e, se não gostar, não precisa comer. Dê um tempo e ofereça pelo menos por mais dez vezes, em ocasiões e formas de preparo diferentes. Só depois desse período terá certeza se ele realmente gosta ou não.

37 – Ofereça as comidas que as crianças gostam preparadas de forma mais saudável. Por exemplo, troque a batata frita por batata cortada em palitos, com casca, regada com um pouco de azeite e sal e assada no forno por cerca de 40 minutos. Fica uma delícia!

38 – No lugar do doce que contém açúcar refinado, ofereça banana, uva-passa, manga docinha – o açúcar da fruta pode saciar a vontade irresistível de comer um doce.

39 – Em vez de macarrão na manteiga, experimente servir a massa regada com azeite.

40 – Use pão integral em forma de bisnaguinha (à venda em supermercados e algumas padarias) para fazer o lanche da escola. No recheio, coloque patê com cenoura ralada, ricota e alface picada temperada com azeite. Uma combinação deliciosa!

Dani Marques

Fonte: Pediatria em foco

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora