SELECIONANDO PROGRAMAS DE TV

1

A maternidade esconde grandes desafios – muito particulares por sinal – e que só se desvendam com o passar dos anos, conforme vamos vivendo cada fase da vida. Quando meus filhos eram bebês, me vi em situações desesperadoras! Mas hoje, olho para trás e dou risada da maioria delas. Os desafios mudaram e sim, ainda me vejo angustiada algumas vezes, mas procuro parar e pensar: “Bem, daqui há alguns anos provavelmente vou estar rindo dessa situação, então vamos levar da forma mais leve possível.”

O desafio da vez é saber discernir quais programas de televisão meus filhos devem ou não assistir, sim, porque sou contra a autonomia total nessa área. Creio que eles ainda não tem maturidade suficiente para absorver e digerir algumas (ou muitas!) informações. Acho importantíssimos estar por perto orientando e direcionando os botões do controle remoto. Mas por outro lado, não acho saudável o controle total dos pais sobre a escolha dos filhos. É necessário ir aos poucos soltando a corda e permitindo que façam suas escolhas e tirem suas próprias conclusões. Estou vivendo esta fase, de soltar a corda aos poucos, mas não de vez. Ainda!


Por um bom tempo selecionei 100% dos programas e músicas que meus filhos assistiam e escutavam. Vez ou outra permitia algo que não era do meu agrado, outras vezes, na casa de amigos ou em festinhas, eu é que não tinha escolha. Eles foram crescendo e eu fui percebendo que a hora de afrouxar a corda estava chegando. Eles não ficariam para sempre animados em assistir desenhinhos inocentes e é óbvio que isso também não os ajudaria a enfrentar o mundo real, que não é nada bonitinho.

Minha mais velha, que hoje tem nove anos, começou a expressar o desejo de assistir alguns programas mais maduros para a idade dela, como o Carrossel e Chiquititas, por exemplo. Afinal, todas as amiguinhas estavam assistindo. Ela passou a não curtir tanto os desenhos e preferir os filminhos de aventuras com crianças mais velhas. Proibir certamente não seria um bom caminho. Liberar geral também não. Então que fazer?

Fui pedindo a Deus sabedoria e conversando:

“Filha, vamos tentar equilibrar tudo isso aí. Vou te ensinar a assistir e filtrar aquilo que é bom e descartar o que é ruim. E vamos fazer isso juntas. Aquilo que não for legal, procure evitar. Expor nossa mente a informações negativas constantes faz com que sem querer nossas ações representem aquilo que vemos. E isso não acontece de um dia pro outro, o processo é lento e gradativo. Nesses programinhas, por exemplo, as crianças mentem um bocado para professores e pais. Se absorver essa informação todos os dias, em alguns meses vai achar muito normal e aceitável mentir pra gente. E isso acontece com adultos também. Se eu expor a minha mente aos programas globais, por exemplo, com o tempo não vou achar tão ruim trair o seu pai, falar mal das minhas amigas, roubar, ceder a corrupção e etc.”

Ainda estou vivendo esse processo desafiador, não é fácil soltar a corda. Ainda peço sabedoria a Deus todos os dias. Continuo sentando com ela para assistir alguns programas e quando não posso, fico com um olho no peixe e outro no gato. Ouvido atento e sempre a postos para dar as orientações necessárias. Mas também não posso querer esse tipo de controle em 100% do tempo. Algumas vezes não estou por perto e ela assiste o que bem entende, inclusive aqueles programas que abomino, mas uma hora o assunto vem a tona e sempre aproveito a oportunidade para dialogar.

Pai e mães, não soltem a corda de vez, pelo bem da humanidade. Estejam por perto, orientem as decisões, não se omitam! Alguns desenhos animados que vejo no Cartoon e Nickelodeon, por exemplo, não deveriam ser vistos nem por animais irracionais. Não tenho dúvidas de que seus autores usam drogas para escrever os episódios. Outro dia vi rapidamente a cena de um desenho onde o pai defecava o próprio filho… Um coleguinha que assistia riu muito, mas meus dois filhos acharam nojento e pediram pra mudar o canal. Juro que senti uma pontinha de orgulho nessa hora. Não, não é pra achar esse tipo de coisa normal, não mesmo!

Sei que vai chegar a hora que vou precisar soltar a corda de vez, e hoje, trabalho duro para que nesse momento eles saibam filtrar sozinhos e descartar o que for lixo para a mente.

Sim, meu esposo e eu assistimos umas besteiras de vez em quando, as vezes só pra rir mesmo. Não somos tão neuróticos assim. Sou mega fã de Friends, por exemplo. Meus filhos também, assistimos Chaves juntos. Adoro! Mas como criança ainda está com caráter em formação, é preciso ter um adulto por perto orientando que machucar outras pessoas não é legal, mentir traz problemas, trapacear é falta de caráter, trair o cônjuge não é algo aceitável e etc. Deixá-los a Deus dará no que diz respeito a programas de televisão me parece uma atitude bastante irresponsável e maléfica para a sociedade. 

Concluindo, se eu tiver que dar um conselho à você baseando na minha curta experiência, eu diria: 

“Solte a corda aos poucos e esteja presente nesse processo. Prepare e ensine seus filhos a fazerem escolhas sábias e coerentes, e então, quando estiverem prontos, solte a corda de vez e certamente se alegrará em ver que bela contribuição entregou à humanidade.”

Em amor,

Dani Marques 
Share.

About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora

  • Excelente Post! Muito difícil a TV aberta nos tempos de hoje, a saída mais barata é Netflix, e ainda temos mais um desafio: a internet. Bjos e parabéns pelo Blog.