O PERIGO POR TRÁS DA PRINCESAS DISNEY

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Na verdade, o perigo não está nas princesas e príncipes em si, mas sim na mensagem que está sendo impregnada na mente de nossas crianças através dos contos em que estão inseridos. Não, os contos de fadas não chegam aos nossos filhos em sua forma original, pois na verdade foram produzidos para adultos. São histórias muito longas e com finais nada felizes. Precisaram ser adaptados para cair na graça do público infantil.

Algumas crianças gostam muito e quase só tem contato com esse tipo de conteúdo. Alimentam-se deles através de filmes da Disney (que também são filmes para adultos), livros, produtos, fantasias ou em temas de festas de aniversário. Pronto: está criado o complexo de Cinderela, tão comum entre as garotinhas. A “princesa” encontra uma série de conflitos nas amizades porque é uma ladie e parece que ninguém percebe. Ela precisa ser tratada de forma especial! E quando cresce, se depara com um marido brutamontes que não percebeu sua sensibilidade e não foi capaz de sentir uma ervilha embaixo de sete colchões! E passa a vida sonhando e esperando um príncipe que não existe.

Mas será que isso  não é besteira? Não estamos procurando pêlo em ovo? Os profissionais da área afirmam que não.

O excesso de contos de fadas e a fixação nesse tipo de literatura leva a menina a ver o mundo com as lentes de uma princesa. E a realidade é que ela NÃO é uma princesa! A mesma coisa acontece com outros tipos de literatura. Meninos viciados em contos de esperteza, histórias violentas, terror ou heróis derrotando monstros e sem a de mediação de um adulto maduro, abrem caminho para a má formação da criança. Um bolo que não foi virado conforme. Um adulto com caráter deformado.

A criança precisa de um adulto responsável que possa filtrar o material, ler, interpretar e mediar o mundo para ela. Crianças saudáveis são crianças mediadas. Mas você deve estar pensando: 

Eu cresci sozinha, sem pai nem mãe, tive que ser mãe de meus irmãos e sou saudável! 

Pois bem. Feliz de você que tomou um banho de realidade logo cedo e não se transformou numa princesa. Você foi mediada sim, pela realidade que se impôs e pelos adultos que conviveram com você e lhe serviram de inspiração e modelo. 

Mas não dizem que as brincadeiras e fantasias são importantes na vida da criança? 

Sim, claro. Elas existem até na vida adulta. Existem infinitas formas de brincar de fantasiar. O bordado é um brinquedo, por exemplo. A música, a sonoridade, a arte de cozinhar, pintar… Para o público infantil existem muitos contos de fadas que se mediados por adultos maduros, podem ser benéficos para a construção de um caráter saudável. Alguns exemplos:
  • Os três porquinhos – fale sobre preguiça e falta de dedicação.
  • O patinho feio – diversidade na criação dos animais/ beleza interior/ aceitação/ preconceito.
  • Chapeuzinho vermelho – desobediência/ perigos
  • Cachinhos dourados – desobediência/ perigos
  • O lobo e os sete cabritinhos – o engano do lobo/ armadilhas da vida

A criança invariavelmente terá contato com contos de fadas, porém esse tipo de material deve ser sempre filtrado e mediado. Não é o tipo de literatura que devemos incentivar e priorizar. Já os livros sobre animais, cotidiano, higiene, natureza, reciclagem, sociedade, relacionamentos, comportamento, poemas, família, devem sim ser estimulados e incentivados, pois são um tesouro para a humanidade!

Por muito tempo e por pura ignorância não tive ciência do mal que o excesso das princesas Disney poderiam causar na formação do caráter da minha menina. Fui aprendendo com o tempo e através de estudos. Passei então a evitar ao máximo esse tipo de conteúdo e incentivar outros. Não surto quando ela entra em contato e nem fiquei neurótica. Também não me culpo pelo que passou. Olho pra frente e busco trazer para a vida dela toda a experiência necessária para que se torne uma mulher emocionalmente equilibrada. Afinal, príncipes em cavalos brancos e fadas madrinhas não existem e, muito em breve, ela vai descobrir isso. E também é bom que vá aprendendo desde já que nem todos os finais são felizes. Assim, o choque de realidade será menos dolorido e não precisará de tantos “tapas” da vida para aprender.”

Por: Maria Ruth Fernandes – pedagoga e educadora e Daniela Marques – mãe de dois, escritora e psicanalista (em formação).
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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Autora dos livros O coração vermelho, Tem princesa que..., Iguais e diferentes e Quando nasce um coração. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora e @danimarques_escritora