A IMPORTANCIA DA PRESENÇA DA MÃE NOS PRIMEIROS ANOS DE VIDA

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“Nos primeiros dias, meses e anos de vida de um ser humano, acontece uma ligação intensa e importantíssima entre a criança e o seu cuidador. É nesse curto período de tempo que o alicerce para a construção de todo o comportamento será construído e influenciará as outras áreas da vida.

Do ponto de vista neurobiológico, a criança, assim que nasce, já está com o seu cérebro em processo de amadurecimento, mas uma região específica no hemisfério direito, próximo ao hipotálamo, é a primeira parte a amadurecer e de forma bastante acelerada, bem mais do que todas as outras.

Cada neurônio faz diariamente centenas de sinapses (ligações que passam informações) formando uma rede de conexões onde são registradas as memorias. Essas conexões de neurônios vão se unindo uma a outra tecendo uma rede maior que precisa se processar de forma adequada até o terceiro ano para que haja um desenvolvimento emocional equilibrado.

Essas redes formadas serão fixas (imutáveis) e influenciarão atitudes, comportamentos, medos e reações diante das situações da vida. Essa base fixa será responsável em direcionar como aquele ser humano reagirá diante de cada situação de instintos básicos naturais como, o medo, a curiosidade, a alimentação, sentimentos, relacionamentos, entre outros.

Nos primeiros dias e meses de vida, a descoberta do mundo inicia-se pelo tato através da boca (oralidade – mamar, sugar, dedo, chupeta, objetos na boca, o choro). O bebê se comunica dessa forma. Na oralidade ele recebe e se manifesta. E nesse período há uma ligação intensa com o cuidador – seja ela boa ou ruim. No começo o bebê tem a mãe (ou principal cuidador) como um “tentáculo” que faz parte dele. Ele chora e então chega o tentáculo: peito/ colo e, aos poucos, vai descobrindo que existem outros indivíduos fora dele. Mas a mãe, em especial, continua sendo parte dele. É como uma ponte que liga a realidade externa ao “eu” do bebê e essa ligação se dá através do toque, da fala, do sorriso, das canções, do colo e especialmente do olhar.
O cérebro do bebê é ligado ao cérebro da mãe, como um sensor de wi-fi. A criança sente essa ‘sintonia’. E essa ligação é feita especialmente através das pupilas, que, dependendo da dilatação e somada as feições do rosto, é realizada uma ligação que constrói uma memória de alegria, segurança ou tristeza, por exemplo. E tudo acontece de forma imperceptível e inconsciente.
Todos esses registros fixam-se naquelas redes que falamos anteriormente e se a formação dessa base, desse alicerce for sadia e completa, a criança então desenvolverá o medo saudável, curiosidade necessária e equilíbrio emocional para enfrentar o mundo. E é importantíssimo frisar que toda a formação desta rede no hemisfério direito está diretamente relacionada a formação do hemisfério esquerdo, responsável pela comunicação, socialização, relacionamentos… Áreas que são adaptativas, plásticas e construídas em cima da base inicial imutável que falamos a pouco.
As crianças que nascem e crescem em abrigos ou que nos primeiros anos de vida passam muito tempo longe da mãe, em locais onde os cuidadores são poucos e não interagem de forma intensa e próxima, não terão aquela correspondência mental que o tempo com a mãe exclusivo ofereceria. A fase oral então é prejudicada, o crescimento neurológico nos primeiros três anos da mesma forma, o que acaba, como consequência, interferindo nas áreas que se formarão.
O cuidador principal nos primeiros anos de vida fará toda a diferença, pro bem ou pro mal. E quem pode ser considerado o cuidador principal? Aquele que passa a maior parte do tempo com a criança e está presente nas rotinas básicas: alimento, mamadeira, banho, troca de fraldas, hora do sono, acordar, brincar. Nestes momentos, o olhar, o contato do colo, o carinho e o tom de voz exercerão grande influência.
Nesse período da vida é importante não demonstrar tristeza ao seu filho, nem raiva e descontrole. Não grite e nem se desequilibre com palavras rudes. Todas essas ações estão sendo registradas. O bebê sempre volta os olhos para os olhos da mãe. É como uma criança que está aprendendo a nadar e segura nas bordas. Ele solta um pouquinho e logo volta. Se você for uma borda desequilibrada, instável, agressiva e insegura, haverá registro de medo, insegurança e ansiedade que serão refletidos logo mais nas ações, reações, aprendizagem, socialização, comportamento e relacionamentos.
“Ah, mas assim vou deixar meu filho mimado demais!
A psicóloga Emma Adam, da Universidade Northwerstern, nos EUA, afirma  que é impossível “estragar” um bebê com amor, atenção e afeto. Quando se conforta um filho nessa fase da vida (0 a 3 anos), o que ocorre na realidade é a construção de uma base de confiança que vai durar a vida toda.
Portanto, procure ficar o máximo de tempo possível com o seu filho nesses primeiros anos. Se não for possível, tente adaptar sua rotina para estar com ele nas horas de mamar, trocar, dar o banho, fazer dormir… Momentos em que possam acontecer a troca de olhares, toque, palavras, sorrisos, canções. No fim do dia, invista esse tempo com ele, invista no desenvolvimento de seu cérebro. E preste muita atenção nos cuidadores que estarão com ele no restante do dia. Escolha pessoas carinhosas, amorosas, que oferecerão um colo amoroso, não utilizarão palavras ríspida e em tons agressivos, e que realize a troca de olhares amoroso.
Se o seu bebê ou filho pequeno passa uma parte do tempo sendo cuidado por uma pessoa pouco carinhosa, rude ou ocupada demais para dar um colo, carinho e fazer a troca de olhares,  crescerá uma criança insegura: “Tenho 30 minutos de estabilidade com minha mãe e duas horas de insegurança e medo com a babá/tia da creche”. Esse desapego é registrado no cérebro como um desamparo, abandono que ocasionam pequenos traumas na formação das redes. Por isso dizem que, se não tem opção, a vovó sempre será a melhor escolha nessa fase da vida.
Qualidade de tempo: Se o que resta do dia para ficar com o seu filho são apenas 3 ou 4 horas, esteja com ele de corpo e alma. Se ficar com um olho na criança e outro na TV, no celular ou com a cabeça em outros lugares e ocupações, esse tempo não fará diferença. É preciso haver qualidade. Se você precisa correr com a rotina da casa, procure incluir o seu filho e interaja com olhares, sorrisos, conversas e canções.
“Mas mesmo sendo um bebê, ele precisa ser educado e corrigido. Não posso ser mole o tempo todo!”
Uma criança de 0 a 3 anos que ouve da mãe um não ou uma correção em voz firme, mas branda e amorosa, sem gritos, se sente segura ao fitar o olhar. Aqui existe a ligação das pupilas e o cérebro da mãe neste momento está na mesma sintonia do hemisfério direito do bebê. Ele vai sentir que o seu “não” e a sua correção são feitas por amor. O oposto também é verdadeiro. A sua raiva, sua feição, seu tom de voz ficará registrado de forma inconsciente para o resto da vida dele. Repito, essa é uma área fixa. Ela não é capaz de alterar, apenas se adaptar.
E agora, fiz tudo errado e meu filho já passou dos 3 anos? Ele será prejudicado?
A verdade é que todo ser humano tem seus traumas, alguns pequenos, outros maiores. Traumas que norteiam as nossas ações, comportamentos, escolhas e reações. Uns mais medrosos, outros mais ansiosos, inseguros, compulsivos, impulsivos… A psicoterapia ajuda (e muito!) nesse processo. As próximas redes neurais nos dois hemisférios, especialmente do esquerdo, que está relacionado a aprendizagem, relacionamento e socialização, a partir dos quatro anos vão sendo colocados em cima das bases fixas formadas até os três anos de idade. Elas complementam as antigas que foram colocadas e adaptam a pessoa para a vida. Essas novas experiências podem ir corrigindo algo que ficou errado nos primeiros anos. Em outras palavras, há possibilidade de consertar o erro. É o que chamamos de adaptabilidade. É como uma casa com alicerce mal feito. É possível construir pilares para reforçar a estrutura, mas o alicerce mal feito permanece. Mas é bem verdade que com um alicerce bem feito, é possível construir vários andares, pois a base é segura e de qualidade!”

Gedson Lidorio – Professor, teólogo e psicanalista/ Daniela Marques – esposa, mãe de dois, escritora e estudante de psicologia. Autora dos blogs Salve Meu Casamento e Educando Na Contramão. Idealizadora do projeto O Coração Vermelho, que conta com um livro de sua autoria.

 

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About Author

Daniela Marques é esposa, mãe de dois e escritora. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Estudante de psicologia e psicanálise. Ama o que faz!

  • Muito interessante… achei espetacular essa informação… que possamos pedir todos os dias sabedoria do alto pra cuidar dos nossos pequenos����❤️❤️��������

  • Anônimo

    Tenho 6 filhos amo muito eles,cuido o tempo todo deles ,nossa regra é namorar depois dos 16 anos e viver a lei da castidade,eles tem vivido esse princípio ,e tem sido muito abençoado por isso um já casou com uma excelente moça e outro está a caminho.e todos são obediente a esse princípio.