SERÁ QUE SEU FILHO É OU JÁ FOI VÍTIMA DE ABUSO SEXUAL?

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É muito natural que após um escândalo divulgado pela mídia famílias e indivíduos pensem na possibilidade da tragédia acontecendo dentro de suas próprias casas: “E se fosse comigo? E se fosse com o meu filho?” Questionamentos que nos levam a muitos outros, inclusive despertando alguns medos que chamo de medos saudáveis, pois nos impulsionam a agir.

No mês passado veio a público a triste notícia de que o filho da pastora, escritora e ex-cantora gospel, Bianca Toledo, vinha sofrendo abusos do próprio padrasto, o também pastor Felipe Heiderich. Muitos seguidores e internautas revoltados e indignados com a descoberta levantaram os seguintes questionamentos: “Como uma mãe não nota que seu filho sofre abusos dentro da própria casa? Isso é mesmo possível?”

Foi pensando nessas questões que resolvi trazer aos leitores que acompanham meu trabalho um despertamento para a sua própria casa. Será que o seu/sua filho(a) não é ou foi vítima de abuso sexual e você como cuidador e responsável também não notou? Para obter as respostas, ofereço à vocês com base num material muito seguro, todas as informações necessárias para que esteja amparado nessa questão e, peço de todo coração que encaminhe o alerta ao maior número de pessoas possível, pois apenas com a leitura desse texto, a vida de milhares de crianças podem ser preservadas.

“O abuso ou violência sexual é caracterizada quando uma criança ou adolescente é invadido em sua sexualidade e usado para gratificação sexual de um adulto, ou mesmo de um adolescente mais velho. Ocorre com ou sem uso de força ou violência. Na maioria das vezes através de ameaças ou constrangimento. O abuso também pode ser psicológico. As vezes acontece implicando troca financeiras ou de favores como comida, drogas ou presentes.

No Brasil as denúncias contra crianças cresceram 4 vezes nos últimos dois anos. São 2.300 ligações por dia! Na grande maioria dos casos o abuso é intrafamiliar (pai 44%, padrasto 17% e tio 10% – sem contar avós e primos). A cada 8 minutos uma criança é vítima de abuso sexual no Brasil. Provavelmente alguma criança que você conhece já foi vítima de abuso.

E como minimizar os riscos?

Fique atento as atividades de seus filhos, saiba onde e com quem estão sempre; Monitore o uso da internet; Quando a criança retornar de um passeio, casa de amigo ou parente, esteja atento ao humor e comportamento. Pergunte em detalhes como foi, como foram suas atividades, se aconteceu algo diferente ou que ela não gostou. No geral, o abusador é alguém muito próximo da família, participa do dia a dia da vítima, ganha sua confiança com elogios, carinhos e cria momentos para estar sozinho com ela.

Não tenha medo de falar com a criança sobre isso, pois o abusador envergonha a criança dizendo que a culpa do acontecimento foi dela, alegando que se os pais souberem ficarão muito zangados. No geral o abusador é manipulador e persuasivo, confundindo a criança sobre o que é certo e errado, fazendo ameaças a vida dela ou a um membro da família. Muito deles dizem que o abuso é na verdade um ato de carinho, um jogo legal e a grande maioria das crianças não fazem ideia de que aquilo se trata de um abuso.

De acordo com a idade da criança e numa linguagem acessível, explique a ela sobre seu corpo e sobre o que significa abuso sexual. Mantenha uma boa comunicação, dizendo que ela pode contar tudo o que quiser à você. Que nunca esconda nada, especialmente coisas que a deixam triste e incomodada. Coloque-se como melhor amigo e avise sobre a mentira que pessoas muito próximas e queridas podem contar a ela. Explique que um adulto, homem ou mulher, não deve jamais interagir com ela de maneira sexual ou com toques íntimos. Se seu filho parece resistente ou desconfortável perto de algum adulto, tente descobrir o porquê e fique atento a pessoa em questão.

Como posso saber se meu filho já foi vítima?

A verdade é que um cuidador ATENTO percebe SIM alterações no comportamento ou corpo da vítima. Vejam alguns deles:

Enfermidades sem causa clínica aparente; Doenças sexualmente transmissíveis; Dor, inchaço, lesão ou sangramento em áreas genitais; Dificuldades de andar ou sentar; Baixo controle dos esfíncteres; Constipação ou incontinência fecal; Roupas íntimas rasgadas ou manchadas de sangue; Ganho ou perda de peso; Lesões corporais (roxos, arranhões); Medo de lugares escuros ou fechados; Mudanças súbitas e inexplicáveis no comportamento; Regressão a comportamentos muito infantis; Comportamento autodestrutivos ou suicidas; Mudança de hábito alimentar (comer demais ou rejeitar comida); Relutância em trocar de roupa; Fugas frequentes de casa; Resistência em voltar a casa após a aula; Resistência em ir a casa de um conhecido; Dificuldades de concentração e aprendizagem; Relacionamentos permeados de segredos; Interesse ou conhecimento súbito sobre questões sexuais; Masturbação compulsiva; Brincadeiras ou toques sexuais em outras crianças; Desenhos contendo cenas sexuais ou de toque ou parte íntimas.

Como reagir?

O modo como você reage pode inibir a criança. Se ficar muito bravo ou descontrolado, a criança pode mudar a história ou desmentir o abuso, ou pior, fazer com que ela se sinta mais culpada ainda. Encoraje a criança a falar sobre o abuso, mas não faça perguntas muito específicas. Opte por perguntas mais abrangentes e tente agir naturalmente: “O que aconteceu depois? Como você se sentiu lá? Alguma coisa te deixou incomodado?”

Na menor suspeita, entre em ação!

Mesmo sem provas, faça a denúncia. Há suspeitas? Faça a denúncia! Essa é a orientação dada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Se achar melhor, leve a criança a um centro médico ou hospitalar, buscando um laudo mais específico. Neste caso, havendo a confirmação, o próprio profissional da saúde é obrigado a fazer a denúncia. Agindo na primeira suspeita você não está protegendo só uma criança, mas uma centena de outros casos que poderiam ocorrer.

Onde posso fazer a denúncia?

Conselhos tutelares próximos à casa da vítima; Hospitais ou unidades de saúde; Ministério Público – Promotoria da Defesa dos Direitos Difusos e Coletivos da Infância e Juventude: (11) 3119-9079; Programa Bem-Me-Quer (11)3248-8038; Centro de Referência e Apoio à vítima – (11) 2127-9522; Disque 100.

Participe também sendo voluntário em instituições de prevenção ao abuso sexual. Pergunte a direção da escola de seu filho se eles tem algum sistema ou política para a prevenção do abuso sexual. Reúna outros pais para fazerem o mesmo. Apoie as leis de proteção à infância e cobre para que o governo invista mais recursos no combate a este mal!”[¹]

Profissionais especializados como psicanalistas e psicólogos, são capazes de, sem muito esforço, extrair das crianças suas aflições internas através de conversas, brincadeiras e desenhos. Vejam a seguir alguns desenhos feitos por crianças em consultórios onde expõem os abusos sexuais que sofreram:

David, de 8 anos foi abusado sexualmente e destacou em seu desenho os olhos vermelhos do estuprador e seu órgão genital. O menino ainda escreveu as palavras chulas que o agressor dizia enquanto abusava dele.

Este é o desenho do Andreu, um menino de 8 anos que foi abusado desde os seus 4 anos pelo padrasto. No desenho ele se retrata em pânico diante do abusador. Segundo o psicólogo um fator marcante no desenho são os botões da camisa e o zíper da calça, no autorretrato a criança destaca os dois detalhes das roupas que eram o alvo do abusador.

Victor, de 7 anos mostra como era brigado pelo pai a fazer sexo oral.

E para finalizar, deixo com vocês um vídeo bastante didático para ser assistido com seus filhos. Uma maneira sadia de alertá-los, informá-los sobre os perigos, riscos e qual a melhor maneira de agir: https://www.youtube.com/watch?v=6SVsdEangCM

Daniela Marques – esposa, mãe de dois, escritora e psicanalista (em formação). Idealizadora do projeto infantil O Coração Vermelho e autora dos blogs Educando Na Contramão e Salve Meu Casamento.


[¹] Cartilha: 7 passos para o enfrentamento da violência sexual infantojuvenil

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About Author

Daniela Marques é esposa, mãe de dois e escritora. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Estudante de psicologia e psicanálise. Ama o que faz!