A BELEZA DA CIDADE DE DEUS

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“Gisele Bundchen é o símbolo de beleza da mulher brasileira”, disse Fausto Silva neste último domingo em seu rotineiro programa, o Domingão Faustão.

Aconselho sempre aos meus filhos e também às pessoas que me cercam que, ao receberem qualquer tipo de informação, não aceitem como verdade de imediato. Incentivo o exercício de questionar, mastigar, raciocinar, pesquisar… Isso se chama senso crítico.

Gisele Bundchen, no meu ponto de vista, é realmente uma mulher de beleza incrível. Na abertura das olímpiadas, quando entrou desfilando ao som de Garota de Ipanema, de Tom Jobim, confesso que me arrepiei e pensei: “Gente, que mulher linda!” E, além de linda, a considero muito simpática e humilde também. Mas, quando ouço alguém que exerce certa influência na mídia dizer que uma mulher específica é símbolo de beleza, mastigo, mastigo, mastigo e não consigo engolir. Não dá, não desce.

E por que? Porque ao padronizar a beleza, automaticamente excluímos todas aquelas que não se encaixam no perfil em questão. Gisele é alta, loira, olhos claros, magra e com curvas bem definidas. Se esse padrão se torna referência de beleza, então as morenas, gordinhas, baixinhas, japonesas, índias, sem curvas, caboclas, de cabelos crespos e nariz largo não se enquadram. Recebem automaticamente o rótulo de feias ou “não tão bonitas”. E, sabe, considero isso uma mentira das grandes, daquelas que não podem jamais ser engolidas!

Hoje, assistindo a final do judô, onde Rafaela Silva conquistou o primeiro ouro para o Brasil, tive uma sensação parecida com a que tive na cerimônia de abertura. Me arrepiei novamente e pensei: “Gente, que mulher linda!” Linda porque é guerreira. Linda porque superou todos os desafios e barreiras que lhe foram impostos. Linda porque mostrou ao mundo que ser negra e pobre não é empecilho pra ninguém. Linda porque através do seu dom ensinou que é possível retribuir o mal com o bem. Linda porque é negra. Linda porque tem cabelos crespos. Linda porque é baixa.

A menina linda que veio da Cidade de Deus nos contou uma história. A história do Deus que colocou beleza na diversidade. Na Rafaela e também na Gisele. A beleza que vai de Ipanema à Cidade de Deus. Ela nos contou a história do Deus que ensinou que beleza exterior é vaidade. É sopro, é vento. A beleza genuína, aquela que traz impacto, ensino, aprendizado, transformação, maturidade e nunca acaba, essa vem de dentro. Tem raiz na alma, é arraigada no coração.

Essa é a beleza que nossas crianças e jovens precisam enxergar como padrão, como referência e símbolo. Portanto, deixo a você, pai e mãe, um conselho: Não permita que a mídia ensine seu filho a correr atrás do vento. Seja você a influência que o ensinará a mastigar, pensar, raciocinar e engolir apenas aquilo que alimente a beleza que tem raiz e não se esvai com o vento. Nem com o tempo.

Ah, e se você mastigar essa reflexão e ela ficar entalada na sua garganta, por favor, não engula. Podemos trocar uma ideia! 😉

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs ‘Salve Meu Casamento’ e ‘Educando na Contramão’. Idealizadora do Projeto Infantil ‘O Coração Vermelho’, que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora