E QUANDO A MENINA NÃO SE ENCAIXA NOS ESTEREÓTIPOS COLOCADOS PELA SOCIEDADE?

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Depois de quinze anos trabalhando e convivendo com crianças, percebi que muitas meninas não conseguem se encaixar nos estereótipos femininos normalmente aceitos pela sociedade. Em vez de boneca, preferem carrinhos. As histórias de aventura lhes parecem muito mais interessantes do que as de princesas tomando chá. Vestido? Nem pensar! E, como sempre gostei de pesquisar e descobrir o porquê de todas as coisas, resolvi estudar para entender esse curioso comportamento.

Conversei também com algumas mulheres adultas que, quando crianças, preferiam mil vezes o universo dos meninos ao das meninas: pipa, futebol, bermuda, tênis e aventuras. Sonhavam em ser pilotas de avião, policiais, construtoras, piratas e etc. Mas, por conta de uma sociedade marcada pelo machismo, onde a menina “tem que isso”, “tem que aquilo” e “não pode isso” ou não pode aquilo”, essas mulheres cresceram carregando consigo o rótulo de machonas e sapatonas. Pois bem, essas garotinhas aventureiras cresceram, se tornaram mulheres, profissionais, mães, esposas e a única coisa de errado que aconteceu em seu desenvolvimento, foi a dor de uma perseguição causada pela ignorância.

Por isso resolvi pesquisar, por isso decidi escrever.

E foi pesquisando e conversando com profissionais especializados em diversas áreas que descobri que gosto por roupas, cores e brincadeiras é algo adquirido socialmente e nada tem a ver com questões biológicas ou de sexualidade. Por exemplo, a definição das cores “certas” para cada gênero surgiu só entre 1920 e 1950, quando empresas de moda começaram a sugerir azul para os meninos e rosa para as meninas, como forma de aumentar as vendas. Ou seja, trata-se de uma questão de marketing e não de gênero. E, quando uma garotinha expressa esse perfil, e seus cuidadores, amigos e familiares insistem em carregar o discurso de que menina não brinca de espada, carrinho e tem que usar vestido e brincar de boneca, por exemplo, ela passa a levantar um questionamento absolutamente desnecessário e maléfico para a sua saúde emocional:

Ei, será que nasci com algum problema? Será que não sou normal?

Concluí então que seria benéfico oferecer aos pais, cuidadores e educadores uma oportunidade de esclarecimento e reflexão a respeito desse tema, com o objetivo aliviar a angústia das nossas garotinhas. Nasceu então o livro infantil Tem Princesa Que… Uma menina pode gostar de azul, brincar de carrinhos, jogar futebol e continuar sendo menina. Simples assim! No brincar a criança se desenvolve, se percebe e percebe o mundo. Se a sua garotinha demonstra ter um perfil mais aventureiro, que tal colocar uma capa e embarcar com ela nessa aventura?

Quando se desenvolve a consciência de que o problema na verdade não está nelas, e sim em nosso olhar estereotipado, a vida das heroínas e de suas famílias se torna mais leve e divertida. O importante mesmo é lembrar que em nosso mundo existe espaço para princesas, heroínas e também para princesas-heroínas. Que elas cresçam e encontrem oportunidades para vivenciar suas histórias de forma plena, tanto as aventuras, quanto os contos de fadas, ou até, quem sabe, aventuras de fadas!

Encontre o livro aqui pelo blog ou através das minhas redes:

Instagram: @danimarques_escritora e Facebook/DaniMarquesEscritora

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora