MATERNIDADE E TRABALHO: MISSÃO POSSÍVEL?

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Deixar ou não a carreira para cuidar dos filhos em período integral? Pois é, esta é uma das grandes dúvidas que permeia os pensamentos da mulher moderna. Há não muito tempo, esse questionamento não era sequer cogitado. A mulher já nascia sabendo que o seu lugar era em casa ao lado dos filhos. Acontece que o mundo mudou e aos poucos este cenário foi se transformando. Hoje, a garotinha já nasce sabendo que precisa estudar muito para se tornar uma grande profissional. Cresce, entra para o mercado de trabalho, conquista seu espaço, se apaixona, forma uma família, engravida e… bum. Surge então uma nova vida que precisa de cuidados e direção. O que fazer? Sinto lhe dizer, mas a possibilidade de retornarmos aos moldes antigos é quase nula. O cenário tende a continuar evoluindo e as mulheres tendem a continuar preenchendo ainda mais os espaços dentro das universidades e do mercado de trabalho. Se formos observar o movimento das famílias atuais, veremos algo parecido com isso:

Tem mãe que escolheu trabalhar em casa em período integral cuidando dos filhos; Tem mãe que escolheu trabalhar fora em período integral e deixar os filhos aos cuidados de outras pessoas; Tem mãe que escolheu seguir com a carreira apenas meio período; Tem mãe que escolheu seguir com a carreira em casa; Tem mãe que escolheu correr atrás do sustento no período da noite… Ah! Também tem mãe que NÃO escolheu ficar em casa cuidando dos filhos, mas fica; Tem mãe que NÃO escolheu seguir com a carreira em período integral, mas segue; Tem mãe que NÃO escolheu trabalhar meio período, a noite ou em casa, mas o faz.

Uma grande mescla de situações! Sabe, já cheguei a acreditar que o ideal de maternidade era a mãe ficar em casa cuidando dos filhos em período integral, estando ela feliz ou não com essa decisão. Mas hoje, depois de muito observar o nosso cenário enquanto sociedade, de muito escutar mães (e pais), de muito acompanhar filhos, de muito ser mãe e de muito estudar, constatei que o ideal de maternidade mesmo é a criança crescer e se desenvolver em um ambiente onde se sinta amada e segura. E, para que isso aconteça, é preciso que o seu cuidador esteja feliz por estar ao seu lado. As vezes cansado, mas feliz. As vezes triste, mas convicto de que aquela é a sua missão. As vezes desanimado, mas certo de que seu lugar é ali. E, independente dessa pessoa ser o papai, a mamãe, a vovó ou a titia, o importante mesmo é a criança notar que quem cuida dela, faz porque a ama, se preocupa com seu desenvolvimento, está ali para protege-la de algum perigo, ensiná-la a lidar com os desafios e principalmente, que deseja DE VERDADE estar ao lado dela.

O fato é que muitas mamães estão trabalhando em casa cuidando dos filhos e administrando o lar em período integral contra a sua vontade e, por isso, acabam descontando nas crianças a sua frustração. Através de suas ações (e na maioria das vezes sem que percebam) comunicam aos filhos o quanto eles atrapalham a sua vida e o quanto estão impedindo que sejam felizes. E olha, o estrago emocional que isso pode causar na vida de uma criança… é difícil até de calcular! Foi exatamente por isso que passei a questionar se a presença da mãe (a qualquer custo) seria mesmo o ideal de maternidade. Hoje, quando me perguntam se vale a pena abandonar a carreira para ficar com os filhos eu digo:

Pra minha vida isso funcionou, pois era isso que eu desejava de todo coração. Estávamos totalmente dispostos a encurtar a grana, cortar gastos e viver só com um salário. Na época, foi possível fazer isso. Mas essa foi a MINHA experiência. Pra obter essa resposta, você precisa olhar para dentro da SUA casa, do SEU coração, da SUA dinâmica familiar, dos SEUS valores, dos SEUS ideiais e tomar a decisão dentro daquilo que acredita como família. Se estiver mesmo disposta a abdicar de MUITAS coisas pra doar um período da sua vida (tempo, dinheiro, carreira, contato social e etc.) e tiver condições de fazer isso, sim, vá em frente. Caso contrário, não acho seguro pra família e também para a criança.

E outra coisa, se precisou trabalhar fora contra a sua vontade, não se culpe por algo que não teve a opção de escolher. Invista suas energias naquilo que hoje PODE escolher: um bom ambiente e um bom cuidador para estar com seus filhos no momento de sua ausência. E, quando voltar para casa, AME seus rebentos! Lembrando que amar não significa encher a cria de bens materiais. Amar fala de tempo juntos e olhos nos olhos. É o dizer sim e o dizer não. É o acolher o sofrimento e perceber o tempo de se tornar desnecessária (deixe o bichinho voar!). Amar é beijar, abraçar, dizer o quanto o filho é importante na sua vida e também disciplinar. Amar é pegar o prato de comida no final do dia e desligar a TV, porque o que a criança tem a dizer é mil vezes mais importante do que o último capítulo da novela. 

Ninguém sabe o que rola dentro das quatro paredes de uma casa. Ninguém sabe, de verdade, o que levou uma família a tomar esta ou aquela decisão. Ainda acredito que a educação e os cuidados nos primeiros anos de vida são preciosíssimos e precisam de uma atenção extra, ultra, super especial, independente do mundo ter mudado ou não. Cuidar dos primeiros anos de vida de uma criança é cuidar da humanidade. E é exatamente por  me preocupar com isso que estou aqui. Observo o nosso cenário atual e, dentro do que temos hoje em mãos, o melhor a fazer é fomentar um ambiente saudável para o desenvolvimento dos que estão chegando nesse mundo. Se você tem hoje em suas mãos um ser humaninho pra ser formado, faça o MELHOR que puder pra que ele cresça se sentindo verdadeiramente amado, cuidado e seguro, tudo isso dentro de sua missão POSSÍVEL!

 

 

 

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About Author

Daniela Marques é escritora, esposa e mãe de dois. Edita e desenvolve conteúdo para os blogs 'Salve Meu Casamento' e 'Educando na Contramão'. Idealizadora do Projeto Infantil 'O Coração Vermelho', que conta com um livro de sua autoria. Formada em Design de Interiores e graduanda em Psicologia. Ama o que faz! Conheça também suas obras infantis em: Facebook/DaniMarquesEscritora